O feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha são alimentos comuns na dieta brasileira e, segundo uma nova análise publicada na revista científica BMJ Nutrition Prevention & Health, o consumo regular dessas leguminosas pode estar associado a um menor risco de desenvolver hipertensão, também conhecida como pressão alta. A hipertensão é uma condição que afeta uma parte significativa da população, com estimativas indicando que entre 27,9% e 30% dos adultos no Brasil sofrem com essa doença, que muitas vezes é silenciosa, mas pode levar a complicações graves como AVC, infartos e insuficiência cardíaca. A pesquisa analisou dados de 12 estudos prospectivos realizados em diversos países, incluindo Estados Unidos, China, Japão, França e Reino Unido, envolvendo desde pouco mais de mil até quase 90 mil participantes.
Os resultados mostraram que as pessoas que consumiam uma maior quantidade de leguminosas apresentaram 16% menos chance de desenvolver hipertensão em comparação com aquelas que consumiam menos desses alimentos. Para os alimentos derivados da soja, como edamame, tofu e leite de soja, a redução do risco foi ainda maior, de 19%. Os pesquisadores também determinaram que a ingestão ideal de leguminosas para obter esses benefícios é de cerca de 170 gramas por dia, o que equivale a aproximadamente uma xícara ou cinco a seis colheres de sopa de feijão.
Para os produtos à base de soja, os maiores benefícios foram observados com uma ingestão entre 60 e 80 gramas diárias. Os autores do estudo sugerem que existem mecanismos biológicos que podem explicar essa relação. Leguminosas e soja são fontes ricas em potássio, magnésio e fibras alimentares, nutrientes que estão associados ao controle da pressão arterial.
Além disso, a fermentação das fibras desses alimentos no intestino pode gerar ácidos graxos de cadeia curta, que ajudam na dilatação dos vasos sanguíneos. No caso da soja, as isoflavonas, compostos naturais presentes nesse alimento, também podem ter um efeito positivo sobre a pressão arterial. Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores alertam que existem limitações na análise, como as diferenças nos tipos de leguminosas avaliadas, formas de preparo e critérios distintos para definir hipertensão.
No entanto, eles consideram que as evidências apontam para uma "provável relação causal" entre o consumo desses alimentos e a redução do risco de pressão alta. O professor Sumantra Ray, cientista-chefe do NNEdPro Global Institute for Food, Nutrition and Health, destacou a importância do estudo ao reforçar o papel das dietas baseadas em vegetais na proteção cardiovascular. Ele também enfatizou que as metas práticas de consumo propostas podem ser úteis tanto para recomendações de saúde pública quanto para a prática clínica.
Portanto, incluir leguminosas e produtos à base de soja na dieta pode ser uma estratégia eficaz para ajudar a prevenir a hipertensão e promover a saúde cardiovascular. Além de serem nutritivos, esses alimentos são versáteis e podem ser facilmente incorporados em diversas receitas do dia a dia, contribuindo para uma alimentação mais saudável e equilibrada. A variedade de pratos que podem ser preparados com esses ingredientes é vasta, desde saladas e sopas até pratos principais, o que facilita a adesão a uma dieta saudável e equilibrada.
Além disso, a inclusão de leguminosas na dieta pode ser uma forma de diversificar as refeições, tornando-as mais saborosas e nutritivas. Assim, a promoção de hábitos alimentares saudáveis, com a inclusão de leguminosas e soja, pode ser uma abordagem eficaz para a prevenção de doenças cardiovasculares e a melhoria da qualidade de vida da população brasileira.