A terapia por ondas de choque extracorpóreas (TOC) tem ganhado destaque no tratamento da dor no joelho, especialmente em casos de osteoartrite. Essa técnica, que utiliza ondas acústicas pulsadas, tem mostrado resultados promissores na redução da dor crônica e na melhoria da mobilidade articular. Um estudo recente publicado na PubMed Central reuniu evidências experimentais e clínicas que demonstram a eficácia da TOC em alterações da cartilagem e do osso subcondral, condições frequentemente associadas à progressão da osteoartrite.
O Dr. Daniel Hidalgo, ortopedista e líder do Grupo de Cirurgia do Joelho do Centro Médico Alto de Pinheiros, explica que a TOC é indicada principalmente para pacientes que não obtiveram resultados satisfatórios com tratamentos convencionais, como medicamentos e fisioterapia. "A TOC passa a ser uma opção no plano de tratamento quando o paciente já tratou com medicamentos, fisioterapia, modificação das atividades habituais e não obteve resposta satisfatória", afirma o especialista.
Além da osteoartrite, a TOC também é utilizada em casos de tendinopatias crônicas, especialmente a tendinopatia patelar, que é uma lesão comum em atletas e pessoas que realizam atividades físicas intensas. A técnica é considerada uma alternativa não invasiva para pacientes que não podem ou não desejam se submeter a cirurgias. Entretanto, a TOC não é indicada para todos os pacientes.
O Dr. Hidalgo alerta que coagulopatias graves, infecções ativas na região a ser tratada e gestação são contraindicações para o uso da técnica. "Pacientes com dor crônica bem localizada, que piora com a atividade e não cede ao tratamento clínico convencional, costumam responder bem à TOC.
Mas cada caso precisa ser avaliado individualmente", explica. O tratamento com TOC é realizado em consultório e dura cerca de 20 a 30 minutos, com sessões semanais. Durante a aplicação, o paciente pode sentir um leve desconforto, que é considerado transitório.
Não é necessária anestesia geral na maioria dos casos, e os pacientes podem retomar suas atividades habituais logo após a sessão. Os primeiros sinais de melhora geralmente aparecem entre a segunda e a terceira sessão, embora a resposta ao tratamento possa variar de paciente para paciente. O Dr.
Hidalgo observa que os benefícios da TOC tendem a se consolidar após o término das sessões, com resultados expressivos registrados principalmente entre dois e três meses após o início do tratamento. A TOC atua estimulando processos biológicos de reparo tecidual, como a formação de novos vasos sanguíneos, a modulação da inflamação e a reorganização do colágeno. Esses efeitos são potencializados quando a TOC é combinada com fisioterapia e outras modalidades de reabilitação.
Um estudo publicado na Revista Científica FT aponta que a TOC é uma das modalidades associadas à melhora de dor e função em pacientes com osteoartrite do joelho, especialmente quando combinada a outras abordagens fisioterapêuticas. Além disso, a técnica é considerada segura, com efeitos adversos leves e passageiros, sem registros de complicações graves quando o protocolo é seguido corretamente. A transformação que a TOC pode proporcionar é significativa.
Pacientes que chegam limitados, com dificuldade para realizar atividades cotidianas, frequentemente recuperam funcionalidade e autonomia após o tratamento. O Dr. Hidalgo destaca que a redução da dor permite que os pacientes retomem exercícios, trabalho e vida social com muito mais conforto, impactando diretamente seu bem-estar geral e adesão a hábitos saudáveis.
"Ver esse movimento de retomada é, sem dúvida, o que torna o tratamento dos pacientes tão gratificante na prática clínica", conclui o Dr. Daniel Hidalgo. Para mais informações sobre a TOC e seu uso no tratamento da dor no joelho, é recomendável consultar um especialista na área.