Uma pesquisa recente apontou o lago Salton, localizado na Califórnia, como um dos maiores depósitos de lítio do planeta, um mineral vital para diversas aplicações tecnológicas.
De acordo com o estudo realizado pelo Departamento de Energia dos EUA, o lítio encontrado no lago tem potencial para produzir baterias suficientes para 375 milhões de veículos elétricos. Para se ter uma ideia, atualmente existem menos de 300 milhões de carros elétricos registrados em todo o território norte-americano.
Os dados indicam que é viável extrair cerca de 600 mil toneladas de lítio por ano do lago Salton, que está situado na Falha de San Andreas, uma área geológica afetada por atividade sísmica intensa devido à movimentação das placas tectônicas.
O lago foi formado em 1905, após um erro de cálculo em uma obra, que provocou uma elevação no nível das águas do Rio Colorado. Com uma área de 889 km², trata-se de um lago de água salgada.
O lítio é considerado um recurso cada vez mais relevante, já que sua utilização se estende a tecnologias essenciais na atualidade.
Segundo um relatório da Agência Internacional de Energia, de 2017 a 2022, a procura pelo lítio cresceu de forma exponencial, alinhada à crescente demanda do setor energético.
As estatísticas revelam que a demanda geral por lítio mais que triplicou nesse período. Este mineral é crucial na indústria devido à sua leveza, capacidade superior de armazenamento de energia e resistência à corrosão, sendo fundamental na fabricação de baterias recarregáveis. Além disso, sua versatilidade o torna ideal para ser utilizado em ligas metálicas e lubrificantes.
Na esfera tecnológica, o lítio é um componente chave nas baterias de íon-lítio, utilizadas em dispositivos eletrônicos como smartphones e laptops, além de veículos elétricos e sistemas para armazenamento de energia renovável.
Fora do âmbito tecnológico, na indústria farmacêutica, o lítio é utilizado no tratamento de distúrbios psiquiátricos, especialmente como estabilizador de humor para pacientes com transtorno bipolar, reduzindo episódios de mania e depressão através da regulação de neurotransmissores no cérebro.
Globalmente, o lítio é encontrado em rochas, sendo mais comum em pegmatitos, um tipo de rocha ígnea rica em minerais, além de depósitos de salmoura em lagos salinos.
A extração do lítio ocorre por meio de minerais específicos, com a espodumena sendo a principal fonte de lítio, caracterizada por cristais que variam do verde ao rosa. Outros minerais como lepidolita e petalita também apresentam concentrações significativas de lítio.
Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) revelam que 23 países possuem reservas de lítio, totalizando 98 milhões de toneladas em estoque. A América do Sul, a Oceania e a Ásia são as regiões que concentram as maiores reservas mundiais.
O Chile se destaca como o maior detentor de reservas de lítio, controlando 46,6% do total, com ênfase no Salar de Atacama. Na sequência, a Austrália, que abriga montanhas como Mount Caitlin e Mount Marion, possui 28,9% das reservas globais.
No Brasil, as reservas correspondem apenas a 0,5%, localizadas em estados como Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. O Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, concentra cerca de 85% das reservas brasileiras, estimadas em 470 mil toneladas.
Entretanto, o mercado de lítio está em alta, e previsões indicam que poderá haver um desabastecimento já em 2025. Essa crescente demanda pelo minério gerou preocupações entre especialistas, que temem que métodos tradicionais de perfuração e a construção de grandes piscinas de evaporação possam piorar a crise ambiental.