FDA poderá reavaliar 12 peptídeos não comprovados, alerta sobre riscos

Por Autor Redação TNRedação TN

RFK Jr. em ato público pressionando FDA a reavaliar 12 peptídeos não comprovados após o banimento de 2023.. Reprodução: Arstechnica

A FDA reconsidera 12 peptídeos não comprovados após pressão de Kennedy

A Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) anunciou recentemente datas para reuniões de conselheiros que discutirão a possibilidade de levantar restrições sobre 12 peptídeos não comprovados, considerados pela agência como riscos significativos à segurança desde 2023. As reuniões estão programadas para dois dias em julho e mais uma em fevereiro de 2027. Entretanto, não há evidências novas significativas sobre segurança ou eficácia que justifiquem a reavaliação dos peptídeos.

Essa movimentação ocorre sob a pressão do Secretário de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., que se declara um "grande fã" desses medicamentos questionáveis. Os peptídeos são compostos por cadeias curtas de aminoácidos ligados por ligações peptídicas. Exemplos de peptídeos aprovados pela FDA incluem insulina para o diabetes e medicamentos GLP-1 para a obesidade. Contudo, a maioria dos peptídeos discutidos refere-se a substâncias não comprovadas, frequentemente comercializadas sem evidências, alegando tratar diversas condições de saúde, reverter o envelhecimento e melhorar a aparência.

Kennedy, que não possui formação em ciência ou medicina, tem defendido a utilização de peptídeos não comprovados, que atualmente estão disponíveis no mercado negro e cinza. Durante uma participação em um podcast de Joe Rogan, ele afirmou ter utilizado esses peptídeos com resultados positivos no tratamento de lesões. Além disso, ele já manifestou a intenção de acabar com a "guerra da FDA contra os peptídeos". Em postagem nas redes sociais, Kennedy comemorou a iniciativa da FDA para reavaliar os peptídeos, afirmando que os especialistas independentes irão avaliar rigorosamente cada substância com base em evidências clínicas, farmacológicas e de segurança.

Entretanto, especialistas externos expressam forte ceticismo em relação a essas reuniões. O painel consultivo da FDA que revisará os medicamentos, chamado de Pharmacy Compounding Advisory Committee (PCAC), atualmente conta apenas com três membros votantes e um representante da indústria. Seis vagas, incluindo a do presidente, estão em aberto. Especialistas e organizações de controle temem que, antes da primeira reunião em julho, Kennedy possa tentar influenciar a formação do conselho consultivo com aliados de credibilidade questionável, que possivelmente trarão uma decisão já determinada para facilitar o acesso a esses medicamentos, sem a necessidade de uma avaliação científica rigorosa.

Essa estratégia já foi observada em outros órgãos de saúde, como os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), onde Kennedy influenciou a formação de um importante comitê consultivo sobre vacinas, resultando em recomendações que não eram respaldadas por evidências científicas, muitas vezes contradizendo dados existentes.

Os peptídeos em questão

O PCAC considerará a possibilidade de incluir os 12 peptídeos de volta em uma lista de medicamentos que farmácias de manipulação podem fabricar para uso humano. Em 2023, a FDA retirou 19 peptídeos dessa lista, após constatar que apresentavam riscos significativos à segurança. A agência detalhou suas preocupações em relação a cada um dos medicamentos removidos.

Robert Steinbrook, diretor do grupo de pesquisa em saúde da watchdog Public Citizen, comentou: "Não há razões plausíveis para acreditar que peptídeos considerados não comprovados ou inseguros em 2023 são miraculosamente seguros e eficazes em 2026". Ele acrescenta que esses peptídeos devem passar pelo processo padrão de aprovação da FDA para novos medicamentos, e não por um caminho alternativo mais brando que possa comprometer a razão de existência da agência.

As reuniões do mês de julho analisarão sete dos 12 peptídeos, incluindo BPC-157, KPV, TB-500 (um fragmento da timosina beta-4), MOTs-C, Emideltide (DSIP), Semax (heptapeptídeo) e Epitalon. Em fevereiro de 2027, o grupo revisará os cinco restantes: Catelicidina (LL-37), GHK-Cu, Dihexa-acetato, Melanotan II e Fator de Crescimento Mecânico, Peguilado (PEG-MGF). Esses peptídeos não possuem usos comprovados. A FDA apresenta usos para os sete primeiros, mas que não correspondem necessariamente à forma como as pessoas estão utilizando ou comercializando esses produtos na internet. Por exemplo, o BPC-157, inicialmente isolado de sucos gástricos, é amplamente utilizado para promover a recuperação de tecidos, especialmente em lesões atléticas, enquanto a FDA o classifica exclusivamente como tratamento para colite ulcerativa.

Tags: Saúde Pública, FDA, Peptídeos, Robert F. Kennedy Jr., Medicamentos Fonte: arstechnica.com