Europa pode enfrentar escassez crítica de combustível de aviação
A escassez de combustível de aviação pode se tornar uma realidade para a Europa em apenas seis semanas, caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto em breve. A alerta vem da Agência Internacional de Energia (AIE), que destaca uma crise energética sem precedentes, afetando países em desenvolvimento na Ásia, África e América Latina de maneira ainda mais severa.
Fatih Birol, diretor executivo da AIE, enfatizou que quase 75% das importações líquidas de combustível de aviação da Europa provêm do Oriente Médio. Ele já prevê que voos poderão ser cancelados em breve, uma vez que as companhias aéreas europeias enfrentam dificuldades para obter combustível suficiente. O aumento dos preços dos combustíveis já levou algumas companhias aéreas nos EUA a elevarem taxas de bagagem para compensar os custos.
As discussões em torno de um sistema de pedágio proposto pelo Irã para permitir a passagem de navios pelo estreito também geram preocupações. Birol expressou o desejo de que o fluxo de petróleo ocorra de forma incondicional, sem tarifas adicionais. Informações indicam que o Irã pretende cobrar até 2 milhões de dólares em criptomoedas como pedágio para liberar a passagem.
Os conflitos e tensões na região foram exacerbados por ações militares, incluindo bombardeios iniciados por autoridades americanas em fevereiro. O cenário de guerra não apenas impactou o suprimento de petróleo, mas também gerou um cenário de incertezas, com diversas razões sendo apresentadas para o conflito, desde a mudança de regime até o desmantelamento de programas nucleares do Irã.
A situação piora à medida que o Irã restringe a mobilidade no Estreito de Ormuz, uma chave para o transporte mundial de petróleo, que, antes do início do conflito, representava aproximadamente 20% do tráfego global de petróleo. Para contornar isso, os EUA implementaram o que descrevem como um "bloqueio" nos portos iranianos, na tentativa de demonstrar controle sobre a situação.
Durante uma recente coletiva de imprensa, o presidente do Estado Maior Conjunto dos EUA ressaltou que a operação do bloqueio se aplica a todos os navios, independentemente da nacionalidade, que buscam entrar ou sair dos portos iranianos. Apesar das aparentes negociações de paz entre os EUA e o Irã, os resultados têm sido insatisfatórios.
A movimentação militar na região tem chamado a atenção, com planos para o envio de cerca de 10.000 novos soldados, incluindo tropas a bordo do porta-aviões USS George H.W. Bush. Especialistas apontam que uma possível invasão ao Irã poderia comprometer ainda mais a segurança, especialmente em locais estratégicos como a Ilha Kharg, tornando as tropas vulneráveis a ataques de drones e mísseis iranianos.