Recent pesquisas revelam que o medicamento ensitrelvir, já aprovado para o tratamento da COVID-19 em alguns países, pode também prevenir a infecção pelo vírus. O estudo, realizado por cientistas dos Estados Unidos, Japão e Reino Unido, demonstrou que os indivíduos que tomaram ensitrelvir apresentaram uma redução significativa na probabilidade de contrair COVID-19 em comparação com aqueles que receberam um placebo. O ensitrelvir, que é pronunciado como en-SIH-trel-veer, foi submetido à FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA) para aprovação como profilático contra a COVID-19, com uma decisão esperada em breve.
O ensitrelvir foi desenvolvido pela farmacêutica japonesa Shionogi & Co e atua inibindo a principal protease, uma enzima que quebra proteínas, encontrada em coronavírus, incluindo o SARS-CoV-2, causador da COVID-19. Ao fazer isso, o medicamento impede que o vírus se reproduza. Este medicamento é considerado uma evolução em relação ao nirmatrelvir, que faz parte do tratamento padrão atual para COVID-19, conhecido como Paxlovid.
Embora o Paxlovid tenha sido eficaz em prevenir doenças graves e mortes no início da pandemia, especialmente em pessoas não vacinadas, sua eficácia diminuiu consideravelmente entre os vacinados. Estudos também não conseguiram demonstrar que o Paxlovid pode prevenir a COVID-19 em pessoas com alto risco de exposição. Essa situação destaca a necessidade de novas opções de tratamento e prevenção, especialmente em um cenário onde a COVID-19 ainda causa doenças e mortes significativas anualmente.
O ensitrelvir, por outro lado, já foi aprovado como tratamento para COVID-19 no Japão e em Cingapura, sob a marca Xocova. Estudos em animais sugeriram que ele poderia ser um profilático eficaz, levando ao estudo atual. O ensaio clínico, duplo-cego, randomizado e controlado, ocorreu entre junho de 2023 e setembro de 2024, envolvendo cerca de 2.
000 voluntários em cinco países, incluindo os EUA. Os participantes eram pessoas que viviam em lares com um indivíduo doente que havia testado positivo para COVID-19, mas que testaram negativo. Eles foram inscritos no estudo dentro de 72 horas após o início dos sintomas do colega de casa.
Os resultados mostraram que, ao final do estudo, 2,9% das pessoas que tomaram ensitrelvir desenvolveram COVID-19, em comparação com 9% do grupo placebo. O nível de eventos adversos entre os dois grupos foi semelhante, apoiando a segurança e tolerância relativa do medicamento. Esses dados são encorajadores, pois indicam que o ensitrelvir não apenas é eficaz, mas também seguro para uso em populações que podem estar em risco.
Embora a COVID-19 não represente mais uma ameaça tão grande quanto antes, ainda causa doenças e mortes significativas anualmente. Portanto, ter um antiviral confiável que possa tratar e prevenir essas infecções, especialmente entre grupos de alto risco, é extremamente valioso. Uma epidemia ou pandemia maior inevitavelmente ocorrerá novamente, e os coronavírus permanecem como candidatos potenciais para causar uma.
Assim, ao contrário da última vez, medicamentos como o ensitrelvir devem nos proporcionar uma vantagem melhor contra tal ameaça desde o início. Com base nos resultados, o Japão já estendeu sua aprovação do ensitrelvir como profilático em março, e a Shionogi submeteu o medicamento nos EUA. A FDA está programada para emitir sua decisão em junho.
A expectativa é que, se aprovado, o ensitrelvir possa se tornar uma ferramenta crucial na luta contra a COVID-19, oferecendo uma nova linha de defesa para aqueles que estão em risco de exposição ao vírus. Isso não apenas ajudaria a controlar a disseminação do vírus, mas também poderia aliviar a pressão sobre os sistemas de saúde, que ainda enfrentam desafios significativos devido à pandemia.