A OpenAI, uma das principais empresas de inteligência artificial, está enfrentando uma nova onda de processos judiciais relacionados ao tiroteio em Tumbler Ridge, no Canadá. O escritório de advocacia Edelson PC, que já havia movido sete ações contra a empresa em abril, agora está apresentando 30 novas queixas. Os novos demandantes incluem professores, um diretor e alunos que estavam no prédio durante o ataque, mas não foram fisicamente feridos.
Essas novas ações não apenas reiteram as alegações de negligência, mas também acusam a OpenAI de "auxiliar e instigar" o tiroteio em massa, uma alegação que requer a prova de intenção por parte da empresa. Essa mudança na natureza das acusações pode enfrentar desafios significativos, já que a prova de intenção é uma barreira legal mais alta. O tiroteio em Tumbler Ridge ocorreu em 10 de fevereiro de 2026, quando a adolescente Jesse Van Rootselaar matou sua mãe e meio-irmão em casa antes de ir à Tumbler Ridge Secondary School, onde matou mais seis pessoas e feriu dezenas, antes de cometer suicídio.
Relatos indicam que a equipe da OpenAI ficou alarmada com o uso do ChatGPT por Van Rootselaar, que incluía conversas sobre violência armada e conselhos sobre como planejar um ataque. Funcionários da OpenAI supostamente pediram que a liderança alertasse as autoridades canadenses sobre o potencial de violência real, mas essa comunicação não ocorreu. Em vez disso, a empresa desativou a conta de Van Rootselaar, que conseguiu criar uma nova conta logo em seguida.
A OpenAI justificou sua decisão, afirmando que a atividade de Van Rootselaar não atendia ao seu critério interno de "risco iminente e credível" de dano físico sério a outros, que seria necessário para engajar com as autoridades. Jason Kwon, diretor de estratégia da OpenAI, comentou que essa avaliação é sempre feita com a intenção de proteger as pessoas, embora reconheça que o julgamento não é infalível. As novas queixas também mencionam Chris Lehane, o diretor de assuntos globais da OpenAI, como a pessoa que teria instruído a equipe a não contatar as autoridades.
No entanto, as queixas não apresentam evidências diretas de que ele esteve pessoalmente envolvido nas decisões. A OpenAI negou a participação de Lehane, que é conhecido por sua experiência em relações públicas e controle de danos, tendo trabalhado anteriormente na administração Clinton e na Airbnb. Os demandantes alegam que a cultura da OpenAI, sob a liderança de Lehane, prioriza relações públicas e controle de danos em detrimento da segurança.
Uma das queixas afirma que a equipe de Inteligência e Investigações, responsável por identificar usuários do ChatGPT que possam representar uma ameaça de violência real, estava sob o controle de Lehane, o que significa que a decisão de alertar as autoridades sobre um usuário planejando um ataque em massa não foi feita por profissionais treinados, mas sim por Lehane ou alguém em sua cadeia de comando. Além disso, as novas queixas buscam refutar a defesa anterior da OpenAI, que alegou que não alertou as autoridades canadenses devido a justificativas de "imediata" e "privacidade". Um incidente em novembro de 2025, quando a OpenAI trancou suas instalações em San Francisco após uma ameaça de um ativista, é citado como um exemplo de que a empresa não hesitou em agir quando sua própria equipe estava em risco.
As ações judiciais contra a OpenAI refletem um crescente escrutínio sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia em relação ao uso de suas plataformas e ao impacto que podem ter na sociedade. À medida que a tecnologia avança, questões sobre segurança e ética se tornam cada vez mais relevantes, e a OpenAI, como líder no campo da inteligência artificial, está no centro desse debate.