Tensões no Golfo: Nações Árabe Buscam Resolução na ONU

Por Autor Redação TNRedação TN

Barco aproxima-se de cargueiro no Estreito de Hormuz, em meio a tensão regional.. Reprodução: Oglobo

Tensões no Golfo: Nações Árabe Buscam Resolução na ONU

Nações árabes do Golfo Pérsico estão mobilizando esforços para aprovar uma resolução na ONU que permita o uso da força para desbloquear o Estreito de Ormuz, uma passagem crucial para o comércio de petróleo, atualmente fechada pelas retaliações do Irã. Apesar de manifestarem o desejo de evitar a guerra, as monarquias árabes enfrentam resistência de potências como Rússia e China, que criticam a proposta.

O bloqueio imposto por Teerã, que já dura um mês, está afetando o comércio global e aumentando as preocupações sobre a segurança energética. O chanceler do Bahrein, Abdullatif al-Zayani, destacou que as ações iranianas comprometem o abastecimento alimentar e violam a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982. Ele afirmou:

"Estamos confiantes de que este projeto de resolução está em conformidade com o direito internacional. Aguardamos uma posição unificada deste estimado Conselho durante a votação que ocorrerá amanhã".

Com a proposta em pauta, o conselho de segurança da ONU pode discutir a permissão para que um país ou coalizão utilize "todos os meios necessários" para reabrir o Estreito de Ormuz, pelo qual transitam cerca de 20% da produção global de petróleo e gás. O chanceler do Bahrein também enfatizou a busca por relações normais com o Irã, apesar das tensões recentes.

O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), Jassim Albudawi, expressou a urgência da situação, afirmando que

"a conduta desestabilizadora do Irã no Golfo excedeu todas as linhas vermelhas".
Ele instou o Conselho de Segurança a agir para proteger rotas navais e preservar a segurança do comércio marítimo.

Segundo fontes diplomáticas, a resolução encontra objeções de três países com poder de veto — Rússia, China e França —, devido ao uso de termos relacionados ao Capítulo VII da Carta da ONU, que regula ações armadas. Já a França tem buscado atenuar a linguagem do texto proposto, colaborando com o Bahrein na formulação de um projeto que maximize as chances de adoção.

Antes da iminente votação, a chanceler britânica, Yvette Cooper, se reuniu com representantes de 40 países, condenando a imprudência iraniana e enfatizando a necessidade de reabertura do Estreito de Ormuz. Ela alertou que as ações do Irã têm repercussões sérias sobre a economia global.

Diplomatas europeus estão atualmente analisando opções para formar uma coalizão que pressione Teerã a liberar a passagem. Estima-se que cerca de 400 embarcações esperam para atravessar a região. No entanto, até o momento, nenhum país se comprometeu a agir militarmente para reabrir o estreito.

A situação continua em evolução, com países avaliando as possíveis consequências de ações militares na região. O presidente da França, Emmanuel Macron, destacou os riscos envolvidos, afirmando que tal ação poderia expor os envolvidos a perigos, incluindo ameaças da Guarda Revolucionária iraniana.

Tags: Golfo Pérsico, Segurança Internacional, ONU, Irã, Conflitos Geopolíticos Fonte: oglobo.globo.com