Investigação de Daniel Vorcaro revela bilhões em paraísos fiscais

Por Autor Redação TNRedação TN

Rastreamento de fundos de Vorcaro no exterior amplia debate sobre devolução para delação.. Reprodução: Oglobo

Investigação de Daniel Vorcaro revela bilhões em paraísos fiscais

A investigação sobre o banqueiro Daniel Vorcaro intensifica as discussões em torno da devolução de ativos, com foco em bilhões de reais que supostamente estariam em paraísos fiscais. A apuração está sendo realizada pelas autoridades, que rastreiam recursos vinculados a Vorcaro em regiões com regulamentações financeiras menos rigorosas, como Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Atualmente, Vorcaro está em negociações para um acordo de delação premiada, uma situação em que a devolução de ativos se torna uma contrapartida frequentemente exigida. As dificuldades são agravadas pelo valor significativo que Vorcaro precisará devolver, estimado em até R$ 10 bilhões, o que tem complicando as tratativas.

Os investigadores estão se debruçando sobre transações feitas no exterior, associadas ao caso do Banco Master, que foi tentado ser vendido para o Banco de Brasília (BRB). Esse mapeamento em torno do fluxo financeiro é fundamental, especialmente à luz das alegações de gestão fraudulenta que permeiam a investigação, iniciada em fevereiro.

O Banco de Brasília, controlado pelo governo do Distrito Federal, busca resgatar recursos na justiça, apresentando um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que um acordo de colaboração premiada inclua compensações pelos prejuízos enfrentados na tentativa de aquisição do Banco Master. Dessa forma, a indagação sobre irregularidades cometidas por Vorcaro se torna ainda mais premente.

A defesa de Vorcaro não se manifestou. Entretanto, o banqueiro, que já assinou um acordo de confidencialidade, é esperado para apresentar os detalhes de sua delação nas próximas semanas. Esse acordo poderia limitar a quantia que ele deve devolver aos cofres públicos, especialmente com a complexidade da rede estabelecida para dificultar o rastreamento dos ativos. Segundo fontes, o acordo poderá direcionar as autoridades para a localização de seus bens, estabelecendo proteção contra a dissipação dos recursos antes que um acordo seja formalizado.

Casos de delação premiada anteriores fornecem contexto em relação aos valores envolvidos. O doleiro Dario Messer, por exemplo, devolveu R$ 1 bilhão. Os irmãos Joesley e Wesley Batista pagaram multas similares, assim como o banqueiro Eduardo Plass, que foi sancionado em R$ 300 milhões após sua colaboração que impactou o empresário Eike Batista. No contexto da Odebrecht, as penalidades dos 77 colaboradores somaram R$ 500 milhões, evidenciando os altos valores que a colaboração pode movimentar.

Ainda nesta linha de investigação, foram coletadas informações de auditorias independentes que identificaram possíveis fraudes durante a compra de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB. A análise conta com dados extraídos de dispositivos de Vorcaro, que possuem milhares de vídeos e muitos dados relevantes, além de apostas em possíveis crimes, como gestão fraudulenta e organização criminosa relacionados à operação.

No mês passado, o presidente do BRB, Nelson de Souza, mencionou a troca quase completa de sua cúpula, alegando que os novos diretores não tinham relações com o caso do Banco Master. Em depoimentos anteriores, Vorcaro alegou que havia negociações diretas com o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a aquisição do Banco Master. Rocha, por sua vez, negou ter dialogado com Vorcaro sobre esse assunto, embora o banqueiro tenha se referido a uma rede de relações políticas que teria construído em Brasília, afirmando ter buscado apoio para sua posição no mercado financeiro. A investigação continua, e novos desdobramentos devem emergir conforme os acordos avançam.

Tags: Daniel Vorcaro, Delação Premiada, Paraísos Fiscais, Banco de Brasília, Corrupção Fonte: oglobo.globo.com