Marina Silva deixa Ministério com Queda no Desmatamento e Desafios Políticos

Por Autor Redação TNRedação TN

Marina Silva chega ao Ministério do Meio Ambiente, marcando momento de transição. Reprodução: Oglobo

Marina Silva encerra mandato no Ministério do Meio Ambiente

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, saiu do cargo com um resultado expressivo: uma redução de 58% no desmatamento da Amazônia, ao mesmo tempo em que enfrentou diversos reveses políticos que marcaram sua gestão. No entanto, segundo especialistas e aliados, Marina "fez o que pôde" diante da intensa ofensiva parlamentar contra a agenda ambiental.

Resultados da gestão

Ao assumir o ministério em janeiro de 2023, Marina tinha a missão de reduzir o desmatamento e restaurar a governança ambiental que havia sido prejudicada durante os anos de gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em sua saída, o ministério anunciou redução no desmatamento, além de avanços significativos no financiamento climático.

Durante sua gestão, Marina destacou conquistas como a criação do Plano Clima, a implementação de 13 novas Unidades de Conservação e o aumento significativo do Fundo Clima, que mobilizou R$ 52,4 bilhões desde 2023. A pressão política, no entanto, não permitiu a realização de todas suas metas, como a implantação da Autoridade Climática, que visava coordenar iniciativas contra as mudanças climáticas.

Desafios políticos e reveses

Marina enfrentou a aprovação do novo Licenciamento Ambiental, uma medida que entidade ambientalistas consideraram um retrocesso histórico. A falta de apoio do governo em algumas negociações e o impacto da oposição na política interna foram críticos durante seu mandato. Ela mesma reconheceu em coletiva que os resultados obtidos foram frutos do trabalho conjunto de organismos como o Ibama e o ICMBio.

Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, observou que a gestão de Marina foi marcada pela luta para restaurar a importância e a efetividade do Ministério do Meio Ambiente, que havia sido debilitado por ações anteriores. O aumento de 80% nas fiscalizações do Ibama e a redução de 50% na área de mineração ilegal são exemplos do impacto positivo de sua gestão, segundo Araújo.

A importância da política climática

A política climática se tornou um foco importante durante a gestão de Marina. A mudança do nome do ministério para incluir "Mudança do Clima" foi um passo significativo para reforçar a relevância do tema. O lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) também representa um avanço, com o objetivo de financiar a conservação das florestas tropicais em países em desenvolvimento, tendo obtido apoio financeiro significativo de 63 países.

— Haddad e Marina colocaram o Fundo Clima em um novo patamar — destaca Suely Araújo, referindo-se às contribuições financeiras significativas que um novo enfoque trouxe para a atuação do ministério.

Pontos de tensão interna e futuro da agenda ambiental

Apesar das conquistas, o governo de Marina também enfrentou desafios, como a resistência de líderes políticos em relação à criação da Autoridade Climática. Dificuldades na articulação dentro do governo e entre diferentes ministérios se mostraram um obstáculo para a efetividade das políticas públicas desejadas.

Adriana Ramos, secretária executiva do Instituto Socioambiental, destacou que a luta pela revisão do novo Licenciamento Ambiental poderia ser considerada a principal derrota da gestão. A falta de apoio concreto do governo nas negociações essenciais para a política ambiental foi uma crítica recorrente.

Os desafios da gestão de Marina Silva foram, portanto, mistos: resultaram em avanços significativos na proteção ambiental e enfrentaram contratempos políticos notáveis. A complexidade do cenário político brasileiro e o compromisso de Marina com a causa ambiental foram evidentes ao longo de sua gestão, deixando um legado que, apesar de controverso, poderá influenciar as futuras pautas sobre meio ambiente no Brasil.

Tags: Marina Silva, Desmatamento, Meio Ambiente, Política Ambiental, Governança Climática Fonte: oglobo.globo.com