Pré-candidatos destacam força política em megacultos evangélicos
Os pré-candidatos nas eleições de outubro marcaram presença em megacultos da Igreja Universal, realizados em estádios lotados, como uma demonstração de força do partido Republicanos. O evento, intitulado "Família ao pé da cruz", serviu de palco para políticos como Jerônimo Rodrigues e Celina Leão se conectarem com o público evangélico. A Igreja Universal, liderada por Edir Macedo, evidencia seu peso político, enquanto o Republicanos expressa insatisfação com alianças eleitorais.
Eventos da Igreja Universal do Reino de Deus, realizados recentemente, serviram como espaço para os pré-candidatos se prometerem ao eleitorado evangélico. Os megacultos, que lotaram alguns dos principais estádios de futebol pelo país, também se destacaram como uma demonstração de força do Republicanos, partido ligado à igreja e que caminha para um posicionamento neutro na eleição presidencial.
Entre os políticos que disputam cargos majoritários em outubro, prestigiaram as cerimônias do “Família ao pé da cruz” o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e a do Distrito Federal, Celina Leão (PP). Ambos pretendem tentar a reeleição. No Rio de Janeiro, o deputado estadual Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao Palácio Guanabara, fez questão de estar presente em um Maracanã lotado. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), não concorrerá este ano, mas esteve no estádio do Corinthians ao lado do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira.
Um cenário de descontentamento e buscando novas alianças
O megaevento se consolidou como um gesto simbólico para mostrar o peso da Igreja Universal em um momento em que o Republicanos está descontente com o rumo das negociações eleitorais. Nos meses que antecedem a disputa, tanto o PT do atual presidente quanto o PL de Flávio Bolsonaro têm dado mais atenção às tratativas com outros partidos do Centrão.
Embora o “Família ao pé da cruz” não seja novidade, a celebração deste ano foi especialmente grandiosa, organizada com intenção de causar impacto. Nas redes sociais, o bispo Renato Cardoso, genro de Edir Macedo e apontado como seu sucessor, deu uma conotação política ao evento, referindo-se ao ato como “a maior lata de conservas da família”. Essa expressão irônica faz referência à ala “Família em Conserva”, uma sátira ao desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula.
Apesar disso, Renato Cardoso incluiu o presidente em suas orações, mas sem mencioná-lo nominalmente. "Oramos pelos governantes da nossa cidade, pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, pelo governador Tarcísio, pelo presidente do nosso país...", declarou Cardoso.
Estádios lotados e distribuição de assistências
Foram reservados nove estádios pelo país para os megacultos, incluindo Maracanã (RJ), Neo Química Arena (SP) e Arena do Grêmio (RS). O evento, que dura o dia inteiro, é recheado de orações e apresentações musicais. Na seara político-partidária, o Republicanos tem reclamado da construção de alianças em estados estratégicos.
Em entrevista, Marcos Pereira criticou movimentos do PL que, segundo ele, não envolvem o partido nas conversas, especialmente em relação ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. "Se eles (candidatura de Flávio Bolsonaro) querem meu apoio, acha que essa pressão aproxima ou distancia?", questionou Pereira, destacando a falta de comunicação.
Entre os maiores partidos, o Republicanos é o único no Rio que não deu suporte à candidatura de Ruas ou ao ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) para a eleição, mesmo sendo cortejado. A sigla revelou que lançará dois candidatos ao Senado: o ex-prefeito carioca Marcelo Crivella e o ex-prefeito de Belford Roxo Waguinho. A eleição para governador ainda permanece em aberto.
Dentro do Maracanã, a estimativa era de mais de 200 mil pessoas, segundo líderes da igreja. Do lado de fora, o público orava e assistia à pregação através de telões, com ruas bloqueadas para a passagem de ônibus que trouxeram caravanas de fiéis. Distribuições de brindes, como frascos de "óleo santo", também foram uma atração do evento. De acordo com o Censo de 2022, 26,9% da população brasileira se identifica como evangélica, com porcentagens ainda maiores em estados como o Rio, onde o percentual é de 32%.