Desafios para eleição suplementar no Rio: abstenção e recall

Por Autor Redação TNRedação TN

Candidatos à eleição suplementar no Rio enfrentam alta abstenção e recall.. Reprodução: Oglobo

Desafios para eleição suplementar no Rio: abstenção e recall

A eleição suplementar no Rio de Janeiro, com previsão para nomear um novo governador até o fim de 2026, apresenta desafios consideráveis. Os principais candidatos, Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL), enfrentam uma abstenção eleitoral potencialmente alta, assim como o conceito de "recall" que pode influenciar essa corrida. Historicamente, em eleições suplementares como a que ocorreu em 2018 no Tocantins, a taxa de abstenção foi alarmante, chegando a 30% no primeiro turno e 35% no segundo.

O Supremo Tribunal Federal (STF) está atualmente deliberando sobre o formato dessa eleição, enquanto os candidatos trabalham para mobilizar seus eleitores e formar alianças políticas. Segundo especialistas, administrar a máquina estatal será um fator determinante nessa disputa.

Historicamente, eleições suplementares ocorrem quando o governador e o vice são destituídos por decisões da Justiça Eleitoral. O último exemplo ocorreu em 2018, quando a chapa de Marcelo Miranda (MDB) foi cassada, levando a uma eleição extraordinária. Neste contexto, a alta taxa de abstenção e o peso da figura do recall tornam a competição entre Paes e Ruas ainda mais complexa.

Paes, ex-prefeito do Rio, e Ruas, deputado estadual, estão percebendo a urgência em mobilizar os eleitores, especialmente em um Estado que já teve uma taxa de abstenção superior a 22% nas eleições de 2022, um dos maiores índices do país. O cientista político Antonio Lavareda, diretor do Ipespe, ressalta que candidatos com uma base de apoio sólida e a máquina estatal em seus domínios têm vantagem, pois podem se alavancar por meio de parcerias com prefeitos e vereadores, essenciais para engajar os eleitores localmente.

O STF deve decidir nas próximas semanas se a eleição será direta ou indireta, um ponto levantado após a condenação do ex-governador Cláudio Castro, que renunciou. Muitos dos ministros já se manifestaram a favor de uma eleição direta, proposta também defendida publicamente por Paes e Ruas.

Ruas almeja a posição de Carlesse em Tocantins, enquanto tenta consolidar apoio na sede da Assembleia Legislativa do Rio. O Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), no entanto, inhibiu sua arriscada manobra, o que significa que o desembargador Ricardo Couto permanece como governador em exercício.

Além de Paes e Ruas, o cenário político tem outros nomes em cogitação, como o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) e Wilson Witzel (PMB), além de influenciadores digitais que estão se movimentando para a corrida. O pleito ao governo é um momento estratégico, onde a figura carismática e a capacidade de engajamento dos candidatos desempenham papéis cruciais.

A última eleição suplementar no Brasil ocorreu em 2020, quando Carlos Fávaro (PSD) foi eleito para o Senado em Mato Grosso. A aprovação do STF permitiu que ele permanecesse na Casa, dadas as circunstâncias de sua eleição anterior. O ongoing processo de movimentação política no Rio de Janeiro sugere um ambiente tenso, em que a abstenção eleitoral e o recall continuarão a ser desafios centrais nesta disputa.

Tags: Eleições Rio de Janeiro, Abstenção Eleitoral, Recall Político, Eduardo Paes, Douglas Ruas Fonte: oglobo.globo.com