Movimento nos EUA ameaça o voto feminino

Por Autor Redação TNRedação TN

Sufragistas na França em campanhas pelo voto, em contraste com a oposição nos EUA. Reprodução: G1

Crescimento do movimento contra o voto feminino nos EUA

Nos Estados Unidos, tem ganhado força um movimento que questiona o direito de voto das mulheres, alimentado por influenciadores e líderes religiosos. A proposta de reforma eleitoral do ex-presidente Donald Trump evidencia isso, criando novas barreiras que dificultam a participação feminina nesse processo democrático.

Influências nas redes sociais

Um exemplo impactante dessa nova onda é a fala do influenciador de ultradireita Nick Fuentes, que, em um podcast, afirmou:

"Eu eliminaria o direito ao voto de centenas de grupos, das mulheres, com certeza".
Essa declaração ilustra um descontentamento crescente, onde não poucos defendem a ideia de limitarem o voto a um sistema por família, com decisão tomada exclusivamente pelo marido.

Esse conceito é promovido por grupos religiosos, como a Igreja de Cristo, liderada pelo pastor Doug Wilson, defensor da submissão das esposas aos seus cônjuges. O pastor Dale Partridge, por sua vez, compartilha essa visão, argumentando que as mulheres votam de forma emocional e que a política se tornou excessivamente feminizada. Ele chegou a defender publicamente o fim da 19ª Emenda, que há 126 anos garante o direito ao voto às mulheres nos EUA.

Barreiras à participação feminina

Embora a reforma proposta pelo governo Trump não cancele a 19ª Emenda, as novas exigências burocráticas visam dificultar o exercício do voto por mulheres casadas que adotaram o sobrenome do marido. Isso representa um retrocesso significativo em um direito que já é parte fundamental da democracia americana.

O impacto nas redes sociais

Ativistas como Nick Fuentes têm encontrado um terreno fértil na chamada machosfera, um espaço dominado por vozes que defendem a redução dos direitos femininos. Porém, o movimento não é excludente a homens: a comentarista política conservadora Helen Andrews tem argumentado sobre os perigos da "grande feminização institucional", abrindo um debate que poderá resultar na exclusão do direito ao voto para mulheres.

Percepções sobre o papel das mulheres

Uma reportagem recente do jornal The New York Times destacou mulheres que acreditam que deveriam abrir mão do direito ao voto. Essas mulheres defendem o patriarcado bíblico e propõem um voto unificado por domicílio, refletindo uma adesão ao conceito de que as responsabilidades familiares devem prevalecer sobre o empoderamento individual.

A ascensão desse discurso ocorre em um contexto onde as mulheres têm sido frequentemente responsabilizadas por crises econômicas e por questões sociais, como as leis que garantem o acesso ao aborto e o avanço de candidatos com agendas progressistas. Conhecendo essas dinâmicas, é crucial notar que, historicamente, as mulheres tendem a votar mais em candidatos do Partido Democrata.

Mulheres sufragistas na França, durante as campanhas do movimento que lutou pelo direito ao voto feminino, em 1930 — Foto: Keystone-France/Gamma-Keystone via Getty Images

Tags: Direito ao Voto, Movimento Feminista, Política Americana, Eleições nos EUA, Direitos das Mulheres Fonte: g1.globo.com