Como o Chile planeja ampliar suas exportações para o Brasil?

Por Autor Redação TNRedação TN

Como o Chile planeja ampliar suas exportações para o Brasil?

Nesta semana de maio de 2026, o Chile busca diversificar suas vendas no mercado brasileiro, indo além do salmão e do vinho. Uma comitiva de 22 empresas participa de uma feira em São Paulo para introduzir produtos de alto valor agregado e alcançar novas regiões, como o Nordeste. Essa estratégia é parte de um esforço mais amplo para fortalecer as relações comerciais entre os dois países, que já possuem uma balança comercial favorável ao Chile.

Quais são os novos produtos que o Chile quer trazer ao mercado nacional?

Além do tradicional salmão e dos vinhos, o Chile aposta em uma variedade de produtos que incluem pisco (um destilado de uva), cerejas frescas, azeite de oliva, cervejas artesanais e queijos premium. A ideia é aproveitar o fluxo de 800 mil brasileiros que visitam o Chile anualmente e já conhecem esses sabores para consolidar o consumo por aqui. Essa abordagem não apenas diversifica a oferta chilena, mas também atende a uma demanda crescente por produtos de qualidade no Brasil.

O Chile compete diretamente com os produtores rurais brasileiros?

Não. Os dois países possuem economias complementares. Enquanto o Brasil é um gigante na exportação de commodities como milho, carne bovina e suco de laranja, o Chile foca em nichos de clima temperado e produtos processados de maior valor. Essa complementaridade é crucial, pois permite que o Chile preencha lacunas no varejo brasileiro sem prejudicar o agronegócio local. Assim, a entrada de produtos chilenos no mercado brasileiro pode ser vista como uma oportunidade de enriquecimento da oferta, em vez de uma competição direta.

Como está a balança comercial entre os dois países atualmente?

O Brasil é hoje o maior destino das vendas chilenas na América Latina. Entre janeiro e abril de 2026, as exportações somaram US$ 897 milhões. O salmão ainda lidera com 40% desse total, seguido pelos vinhos, que representam 44% de todos os vinhos importados consumidos pelos brasileiros. Essa dinâmica mostra a força da presença chilena no mercado brasileiro e a aceitação dos produtos chilenos entre os consumidores locais.

Existe um plano para facilitar o transporte dessas mercadorias?

Sim, o Corredor Rodoviário Bioceânico de Capricórnio é uma grande malha de estradas que conectará o Mato Grosso do Sul aos portos do norte do Chile, atravessando Paraguai e Argentina. Essa infraestrutura é fundamental para reduzir custos e o tempo de viagem, permitindo que produtos frescos cheguem mais rápido e baratos às prateleiras. A construção desse corredor é um passo estratégico que pode transformar a logística de transporte entre os dois países, facilitando ainda mais o comércio.

O que é a Convenção TIR mencionada no projeto logístico?

A Convenção TIR funciona como um 'passaporte de carga'. Com a ratificação do governo, um caminhão que for lacrado no Chile pode cruzar as fronteiras brasileiras sem precisar ser aberto para novas fiscalizações fitossanitárias ou burocráticas repetitivas. Isso agiliza o transporte e garante a qualidade dos alimentos, tornando o processo mais eficiente e menos oneroso para os exportadores chilenos.

Essas iniciativas refletem um compromisso do Chile em expandir sua presença no mercado brasileiro, diversificando suas exportações e aproveitando a proximidade geográfica e cultural entre os dois países. A expectativa é que, com a implementação dessas estratégias, o Chile consiga não apenas aumentar suas vendas, mas também fortalecer os laços comerciais e culturais com o Brasil, beneficiando ambos os lados.

Tags: Chile, Exportações, Brasil, pisco, cerejas, azeite de oliva, Corredor Bioceânico, exportações do Chile para o Brasil Fonte: www.gazetadopovo.com.br