Recentemente, o estado do Rio de Janeiro se viu no centro de uma investigação que envolve aportes bilionários feitos ao Banco Master, que saltaram de R$ 2,5 bilhões para R$ 3,6 bilhões. A situação ganhou destaque após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que autorizou uma operação de busca e apreensão contra o governador Cláudio Castro (PL). A Procuradoria-Geral da República (PGR) estimou que o Banco Master captou cerca de R$ 3,961 bilhões do governo fluminense, levantando suspeitas sobre a legalidade desses investimentos.
Em 2025, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) havia identificado que o Rioprevidência, fundo responsável por gerenciar pensões e aposentadorias de servidores, havia investido aproximadamente R$ 2,5 bilhões no Banco Master e em fundos associados. Desses, R$ 970 milhões eram de Letras Financeiras do Master, que têm vencimento em 2033 e não são garantidas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O restante do montante foi alocado em fundos de investimento geridos por corretoras ligadas ao banco.
Um dos investimentos mais significativos foi de R$ 100 milhões no fundo Texas I, que possui 96% de sua carteira em ações da Ambipar, uma empresa que atualmente enfrenta dificuldades financeiras e está em recuperação judicial. Além disso, houve um aporte de R$ 660 milhões no Arena Fundo de Investimento em Renda Fixa, que também gerou questionamentos entre os técnicos do tribunal, especialmente porque a primeira aplicação foi realizada logo após a abertura do fundo. Essa sequência de eventos levanta preocupações sobre a transparência e a ética nas decisões de investimento do governo.
A investigação da Polícia Federal busca esclarecer se os investimentos realizados pelo Rioprevidência e pela Cedae, estatal de abastecimento de água do estado, foram irregulares e se houve pagamento de propinas para inflar os aportes no Banco Master, que foi liquidado em novembro do ano passado após a prisão de seu fundador, Daniel Vorcaro, por suspeitas de fraudes financeiras. A liquidação do banco e a prisão de Vorcaro acenderam um alerta sobre a necessidade de uma revisão mais rigorosa dos processos de investimento e da supervisão das instituições financeiras que lidam com recursos públicos. O ministro André Mendonça, em sua decisão, destacou que a relação entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro apresenta indícios de tratativas ilícitas que possibilitaram a captação de R$ 3,691 bilhões em investimentos no Banco Master.
A operação da PF não se limita apenas a Castro, mas também envolve outros integrantes e ex-integrantes do Rioprevidência, com a investigação sendo um desdobramento da Operação Barco de Papel, que já havia identificado aportes considerados suspeitos. Essa conexão entre diferentes operações e figuras políticas sugere um padrão preocupante de corrupção e má gestão de recursos públicos. As transferências do Rioprevidência, somadas, teriam alcançado cerca de R$ 3 bilhões, com a maior parte dos recursos sendo destinada ao fundo de pensão, que é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de aproximadamente 235 mil beneficiários estaduais.
A Cedae também contribuiu com R$ 250 milhões no Banco Master, o que levanta ainda mais questões sobre a transparência e a legalidade desses investimentos. A situação é alarmante, pois envolve não apenas questões financeiras, mas também a confiança da população nas instituições que deveriam zelar pelo bem-estar dos cidadãos. A investigação continua, e a sociedade aguarda respostas sobre a legalidade dos aportes e as possíveis consequências para os envolvidos.
O desfecho desse caso poderá ter implicações significativas para a política e a economia do estado do Rio de Janeiro, além de impactar a imagem do governo estadual e a confiança pública nas instituições financeiras. A necessidade de uma reforma no sistema de controle e supervisão dos investimentos públicos se torna cada vez mais evidente, à medida que novos detalhes sobre o caso emergem e a população clama por justiça e responsabilidade.