Assessor parlamentar pede lotes e faz ameaças na ocupação Nova Jerusalém

Por Autor Redação TNRedação TN

Assessor parlamentar pede lotes e faz ameaças na ocupação Nova Jerusalém

Recentemente, a ocupação Nova Jerusalém, localizada na BR-060, próximo a Samambaia, se tornou o centro de uma polêmica envolvendo o assessor parlamentar Irany Domingos Gomes. Flagrado em áudios que circulam entre os moradores, Irany é acusado de solicitar terrenos e arquitetar serviços "por fora", além de ameaçar e difamar os residentes da comunidade. Em resposta, o assessor alegou que tudo não passava de uma "armadilha".

A ocupação Nova Jerusalém, que abriga cerca de 800 famílias, é caracterizada por suas casas de madeira, papelão e lonas, sem alvenaria, e com infraestrutura precária. A primeira rua da invasão, a única com meio-fio e iluminação pública, é uma das poucas partes que se destacam em meio à poeira e à terra rubra que dominam o local. A água é fornecida por poços artesianos, mas já houve períodos em que caminhões-pipa eram a única fonte de abastecimento, com relatos de água de má qualidade que causaram problemas de saúde entre os moradores.

O presidente da associação de moradores, Cícero Eronildo, que também é pastor e pedreiro, comentou sobre a situação: "É uma diretriz nossa. Preferimos não fazer com alvenaria para não atrapalhar o processo de regularização". A regularização da terra é um tema delicado e complexo, que se arrasta desde 2017, quando os primeiros barracos foram erguidos no local, inicialmente batizado de "Acampamento Che Guevara".

Com o tempo, a ocupação passou a se chamar Nova Jerusalém, refletindo uma mudança ideológica e religiosa entre os moradores, que passaram a apoiar figuras políticas como o ex-presidente Jair Bolsonaro. A situação se agravou em maio, quando Irany Gomes, que se apresentou como assessor do deputado distrital Hermeto (MDB), começou a interagir com os moradores de forma mais intensa. Em um encontro, ele teria expressado descontentamento com a associação de moradores e, em um momento tenso, deixou à mostra uma arma de fogo, o que levou a um boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil.

Após o incidente, uma manifestação foi registrada na Ouvidoria do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que agora investiga o caso em sigilo. Em conversa com o Jornal de Brasília, Irany confirmou os áudios, mas afirmou que estava apenas tentando desmascarar possíveis grupos criminosos na região, negando que seu comportamento fosse aprovado pelo deputado Hermeto. Os moradores, por sua vez, estão divididos sobre a figura de Irany.

Enquanto alguns o veem como uma possível solução para a regularização da terra, outros expressam desconfiança e medo de suas intenções. O assessor, em áudios, chegou a pedir um terreno para si e para um tratoreiro ligado à Secretaria de Governo, o que levantou mais suspeitas sobre suas verdadeiras intenções. A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) informou que está promovendo um levantamento socioassistencial na comunidade, com o objetivo de acelerar o processo de regularização.

A unidade responsável destacou que o prazo para a conclusão do levantamento é de 60 dias, podendo ser prorrogado se necessário. A situação em Nova Jerusalém é um reflexo das complexidades enfrentadas por ocupações urbanas no Brasil, onde a luta por direitos à terra e a busca por melhorias na infraestrutura se entrelaçam com questões de poder e política. A comunidade, que já enfrentou muitos desafios, agora se vê em meio a um novo conflito, que pode impactar não apenas a regularização da terra, mas também a segurança e a qualidade de vida de seus moradores.

Tags: assessor parlamentar, Nova Jerusalém, Irany Gomes, regularização de terras, Moradores Fonte: jornaldebrasilia.com.br