Operação em SP investiga desvio de medicamentos de alto custo para praticantes de musculação

Por Autor Redação TNRedação TN

Policiais civis e auditores da Controladoria Geral do Estado de São Paulo atuam na Operação Halteres - Divulgação / Secretaria de Segurança Pública de São Paulo

A Polícia Civil do Estado de São Paulo e a Controladoria Geral do Estado (CGE-SP) deflagraram a **Operação Halteres**, que apura o desvio sistemático de medicamentos de alto custo pertencentes à rede pública de saúde estadual.

O alvo central do esquema era a Farmácia de Medicamentos Especializados anexa ao **Hospital Estadual Mário Covas**, localizado no município de Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo.

Desvio de somatropina para fins estéticos e musculação

Segundo as investigações conduzidas pelo 1º Distrito Policial de Santo André em conjunto com auditores da CGE-SP, o esquema consistia na retirada fraudulenta de lotes de **somatropina**, versão sintética do hormônio do crescimento humano (GH).

O medicamento, fornecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de deficiências de crescimento em crianças e distúrbios metabólicos severos em adultos, era desviado mediante o uso de receituários e cadastros adulterados. O destino final dos lotes incluía a revenda ilegal a praticantes de musculação que buscavam ganho acelerado de massa muscular sem acompanhamento médico.

O prejuízo preliminarmente identificado aos cofres do Tesouro Estadual foi estimado em cerca de **R$ 400 mil**.

Mandados de busca e apreensão na Grande São Paulo

A ação mobilizou aproximadamente 70 policiais civis e 20 auditores estaduais no cumprimento de 12 mandados judiciais de busca e apreensão. Os alvos abrangeram endereços residenciais e comerciais situados na capital paulista e em cidades do ABC Paulista.

Ao menos duas pessoas foram conduzidas coercitivamente à delegacia para prestar depoimentos formais. Durante as diligências, foram apreendidos computadores, aparelhos celulares, formulários médicos e relatórios de fluxo financeiro com o objetivo de comprovar a participação de servidores públicos, funcionários terceirizados e intermediários que comercializavam as substâncias no mercado clandestino.

Posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde

Procurada para esclarecer as apurações, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que os primeiros indícios de anomalias no controle de estoque foram detectados por auditorias internas promovidas pelo próprio órgão. O caso foi prontamente encaminhado às autoridades policiais e aos órgãos de controle para abertura do inquérito.

A pasta destacou ainda que a fraude não afetou o fornecimento regular aos pacientes cadastrados:
> *"A ocorrência não provocou desabastecimento nem interrompeu o atendimento. Os medicamentos permanecem plenamente disponíveis a todos os pacientes que atendem aos critérios definidos nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT)."*

Os suspeitos identificados poderão responder pelos crimes de peculato, associação criminosa, falsificação de documentos públicos e comércio ilegal de substâncias de uso restrito.

Tags: Polícia, São Paulo, Saúde Pública, Operação Halteres, Medicamentos, Santo André Fonte: redir.folha.com.br