A mineradora Vale anunciou planos ambiciosos para expandir sua frota de navios de transporte de minério de ferro com velas, visando mais que dobrar o número de embarcações equipadas com essa tecnologia nos próximos três anos. O objetivo é alcançar pelo menos 20 navios, uma iniciativa que pode reduzir o consumo de combustíveis fósseis em até 10%, dependendo do tipo de navio utilizado. Essa estratégia não apenas busca a eficiência energética, mas também visa mitigar a volatilidade dos preços do óleo marítimo, um fator crucial para a Vale, que enfrenta desafios logísticos devido à distância de suas operações em relação à China, principal mercado de minério de ferro.
Desde 2021, a Vale já incorporou velas em oito de seus navios, representando cerca de 40% da frota global de graneleiros adaptados com essa tecnologia. Rafael Fischer, gerente-geral de navegação da mineradora, destacou que a eficiência energética proporcionada pelas velas permite uma menor dependência de combustíveis, resultando em impactos reduzidos em relação a variações nos preços do "bunker", o combustível marítimo. Em uma recente visita ao Porto de Tubarão, em Vitória, onde um navio do modelo Guaibamax estava atracado, Fischer explicou que a adoção de velas já resultou em uma redução de aproximadamente 4.
700 toneladas de CO2 equivalente no primeiro trimestre de 2026, além de uma economia de cerca de 1. 500 toneladas de óleo combustível pesado. A primeira implementação de energia eólica em um navio da Vale ocorreu em 2021, e desde então a empresa tem buscado inovações para aumentar a eficiência de suas operações.
O modelo Guaibamax, que possui capacidade para 325 mil toneladas, é um exemplo de como a tecnologia de velas pode ser aplicada para melhorar o desempenho ambiental e econômico da frota. A Vale também está explorando a possibilidade de utilizar combustíveis alternativos, como etanol e metanol, em suas embarcações, o que proporcionaria maior flexibilidade no abastecimento e menores emissões. Recentemente, a Vale firmou um contrato de afretamento de 25 anos com a Shandong Shipping Corporation, que prevê a construção de dois navios transoceânicos movidos a etanol e equipados com velas.
Esses novos Guaibamax poderão ser abastecidos com diferentes tipos de combustíveis, incluindo metanol e gás natural liquefeito (GNL), além de permitir adaptações futuras para o uso de amônia. Essa diversificação de combustíveis é parte de uma estratégia mais ampla da Vale para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, com a meta de diminuir em 15% as emissões do Escopo 3 até 2035. A navegação é responsável por uma parte significativa das emissões de escopo 3 da Vale, e a empresa tem investido cerca de R$ 7,4 bilhões em iniciativas para reduzir suas emissões desde 2020.
A adoção de velas e combustíveis alternativos é vista como uma alavanca para melhorar a competitividade da Vale em relação a seus concorrentes australianos, que estão mais próximos do mercado asiático. Fischer enfatizou que a inovação é fundamental para a Vale, especialmente considerando sua desvantagem geográfica em relação aos concorrentes. A empresa realiza mais de mil viagens por ano, e a eficiência energética dos navios com velas não só reduz o custo do frete, mas também contribui para a sustentabilidade das operações.
Com a expectativa de que a frota de navios com velas continue a crescer, a Vale se posiciona como uma líder em práticas sustentáveis no setor de mineração e transporte marítimo.