Vinhos, queijos, azeites e mais: o que deve ficar mais barato com acordo Mercosul-UE

Por Autor Redação TNRedação TN

Vinhos, queijos, azeites e mais: o que deve ficar mais barato com acordo Mercosul-UE

Com a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, iniciam-se as reduções de tarifas sobre uma ampla gama de produtos importados da Europa para o Brasil. Este acordo, que promete impactar diretamente o bolso do consumidor brasileiro, inclui itens como vinhos, queijos, azeites, chocolates, manteiga, alho e leite em pó. As reduções de tarifas ocorrerão de forma gradual, com cronogramas específicos para cada setor ao longo dos próximos anos.

No caso dos queijos europeus, que atualmente enfrentam tarifas de importação que variam entre 16% e 28%, a redução será gradual, estendendo-se por um período de dez anos, dentro de cotas de até 30 mil toneladas anuais. Os vinhos, especialmente os que vêm em recipientes de até cinco litros e os champanhes, terão suas tarifas eliminadas progressivamente em até oito anos. Os espumantes europeus, que hoje são taxados em cerca de 20%, terão uma liberalização mais acelerada, com a redução de barreiras já na vigência provisória do acordo.

Os chocolates, incluindo chocolate branco e achocolatados, que atualmente enfrentam tarifas entre 18% e 20%, terão um período de transição mais longo, com a expectativa de livre comércio ao longo de quinze anos. Outros produtos, como leite em pó, manteiga e alho, que enfrentam tarifas que podem chegar a 35%, também entrarão nesse processo de abertura gradual. Essa abordagem visa não apenas facilitar o acesso a produtos europeus, mas também proteger os produtores locais de impactos abruptos que poderiam resultar de uma liberalização imediata.

A implementação escalonada das tarifas visa evitar impactos abruptos sobre os produtores locais, combinando cotas, cronogramas de transição e mecanismos de salvaguarda. Por outro lado, os exportadores brasileiros também terão acesso facilitado ao mercado europeu, com produtos como açúcar, arroz, carne bovina, aves, café, suco de laranja, etanol, frutas, mel, pescado e cachaça, dentro de cotas específicas ou com tarifas reduzidas. Essa abertura de mercado é uma oportunidade significativa para os produtos brasileiros, que poderão competir em um mercado europeu mais amplo e diversificado.

A União Europeia, com cerca de 450 milhões de consumidores, e o Mercosul, que soma aproximadamente 270 milhões, formam uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Essa parceria não apenas facilita o comércio entre as duas regiões, mas também promete um aumento na variedade de produtos disponíveis para os consumidores brasileiros. A expectativa é que, com a redução das tarifas, os consumidores possam acessar uma gama mais ampla de produtos europeus a preços mais competitivos.

Apesar do potencial de redução de preços, especialistas e importadores alertam que os efeitos ao consumidor tendem a ser gradativos. Isso ocorrerá à medida que as tarifas sejam efetivamente reduzidas, a concorrência aumente e as cadeias de distribuição se adaptem ao novo cenário comercial. Os consumidores brasileiros podem esperar uma variedade de produtos europeus mais acessíveis nas prateleiras, mas a expectativa é que as mudanças nos preços não sejam imediatas.

O aumento da concorrência e a adaptação do mercado serão fatores cruciais para que os benefícios do acordo sejam plenamente sentidos pelos consumidores. Assim, o acordo Mercosul-UE não apenas promete baratear produtos importados, mas também pode abrir novas oportunidades para os produtos brasileiros no mercado europeu, criando um ciclo de benefícios mútuos entre as duas regiões. Essa dinâmica pode resultar em um mercado mais competitivo e diversificado, onde tanto os consumidores quanto os produtores se beneficiam das novas condições comerciais estabelecidas pelo acordo.

Portanto, a implementação deste acordo é um passo significativo para a integração econômica entre o Mercosul e a União Europeia, com implicações que vão além da simples redução de tarifas, afetando a estrutura do comércio internacional e as relações econômicas entre as nações envolvidas.

Tags: acordo Mercosul-UE, redução de tarifas, Vinhos, queijos, produtos europeus Fonte: veja.abril.com.br