Tarifas de Trump e frustração com elétricos derruba Honda, que tem 1º prejuízo em 68 anos

Por Autor Redação TNRedação TN

Tarifas de Trump e frustração com elétricos derruba Honda, que tem 1º prejuízo em 68 anos - Foto: O Globo

A Honda Motor Co. , uma das principais montadoras do Japão, anunciou na última quinta-feira (14) que registrou seu primeiro prejuízo operacional em 68 anos, totalizando 414,3 bilhões de ienes (aproximadamente US$ 2,62 bilhões) no ano fiscal encerrado em março de 2026. O resultado negativo é atribuído a uma reestruturação significativa na estratégia de veículos elétricos da empresa nos Estados Unidos e ao impacto das tarifas impostas pela administração do ex-presidente Donald Trump.

A montadora, que ocupa a segunda posição no Japão, atrás apenas da Toyota, também reportou um prejuízo líquido de 423,9 bilhões de ienes (cerca de US$ 2,67 bilhões), o primeiro desde que começou a divulgar resultados consolidados em 1977. Essa situação reflete a dificuldade da Honda em se adaptar à crescente demanda por veículos elétricos, especialmente em um mercado onde a concorrência se intensifica rapidamente. Em março, a Honda já havia anunciado o cancelamento do lançamento e desenvolvimento de certos modelos elétricos nos Estados Unidos, o que resultou em baixas contábeis e encargos adicionais de 2,5 trilhões de ienes (aproximadamente US$ 16 bilhões).

A empresa atribuiu essa decisão a uma "mudança na política governamental" dos EUA, que incluiu tarifas sobre importações e a eliminação de incentivos fiscais para compradores de veículos elétricos. Essa mudança afetou diretamente a competitividade dos produtos da Honda, especialmente na China, onde marcas locais dominam o mercado de veículos elétricos. O CEO da Honda, Toshihiro Mibe, expressou preocupação com a incapacidade da empresa de reagir rapidamente às mudanças no setor automotivo.

"Nosso maior arrependimento é não termos conseguido reagir às rápidas mudanças da indústria", afirmou Mibe durante a divulgação dos resultados. Ele projetou que a empresa poderá voltar a ter lucro no período encerrado em março de 2027, com uma estimativa de lucro de 500 bilhões de ienes (cerca de US$ 3,2 bilhões). As ações da Honda subiram 3,8% após a divulgação dos resultados, indicando que analistas estão otimistas com as novas projeções da empresa.

A montadora planeja lançar 15 novos modelos híbridos até março de 2030, principalmente na América do Norte, como parte de uma estratégia para redirecionar recursos dos veículos elétricos para modelos com diferentes tipos de motorização. Além disso, a Honda pretende fortalecer seus negócios na Índia, um mercado em expansão tanto para automóveis quanto para motocicletas. A empresa espera que a produção anual de motocicletas na Índia alcance 8 milhões de unidades em 2028, um aumento em relação às 6,25 milhões projetadas para 2026.

A Honda, que é conhecida por sua forte presença no mercado de motocicletas, enfrenta agora o desafio de equilibrar suas operações entre as divisões de automóveis e motos. A divisão de motocicletas representa uma parte significativa do lucro operacional da empresa, apesar de corresponder a menos de um quinto das vendas totais. Os desafios enfrentados pela Honda não são únicos.

A indústria automobilística global está passando por uma transformação significativa, impulsionada pela eletrificação e pela automação, e muitas montadoras estão lutando para se adaptar a essas mudanças. A guerra no Oriente Médio, as tarifas dos Estados Unidos e a escassez de semicondutores também têm contribuído para as dificuldades do setor. A Honda está buscando aumentar a produção de veículos híbridos e simplificar sua linha de produtos para melhorar sua competitividade no mercado.

A empresa também está avaliando a construção de uma cadeia de suprimento de baterias para veículos elétricos no Canadá, embora esses planos tenham sido suspensos por tempo indeterminado. Com a crescente pressão para se adaptar a um mercado em rápida evolução, a Honda está em uma encruzilhada. As decisões tomadas nos próximos anos serão cruciais para determinar se a montadora conseguirá recuperar sua posição no mercado e voltar a ser lucrativa em sua divisão de automóveis.

Tags: Honda, Prejuízo, Veículos Elétricos, DonaldTrump, Tarifas Fonte: oglobo.globo.com