As ações da Ferrari sofreram uma queda significativa de 8,37% na bolsa de Milão, após a apresentação do Luce, o primeiro carro elétrico da marca, que ocorreu na segunda-feira, dia 25 de maio de 2026. O modelo, que promete ser um marco na história da montadora italiana, foi recebido com reações mistas tanto nas redes sociais quanto no mercado financeiro. No fechamento do dia 26 de maio, os papéis da Ferrari estavam cotados a 284,05 euros, uma queda em relação aos 310 euros do dia anterior.
O Ferrari Luce é um SUV totalmente elétrico, que se destaca por seu desempenho impressionante, com 1. 050 cavalos de potência, capacidade de acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 2,5 segundos e uma velocidade máxima de 310 km/h. Além disso, o veículo possui uma autonomia de 530 km, o que o torna competitivo no mercado de veículos elétricos de luxo.
O preço anunciado para o Luce é de US$ 610 mil, equivalente a cerca de R$ 3,2 milhões. Apesar das especificações técnicas que impressionam, o design do Luce gerou polêmica. Muitos fãs da marca expressaram descontentamento nas redes sociais, apontando que o novo modelo apresenta poucos elementos que remetem ao estilo tradicional da Ferrari.
O design foi desenvolvido pelo estúdio Lovefrom, liderado por Jony Ive, conhecido por seu trabalho na Apple, e a proposta foi de dar liberdade criativa ao estúdio para criar um veículo que simbolizasse um novo capítulo para a marca. O Luce é também o primeiro carro de cinco lugares da Ferrari, o que representa uma mudança significativa na estratégia da montadora, que tradicionalmente se concentrou em modelos esportivos de dois lugares. O nome "Luce" significa "luz" em italiano, e a marca descreve o modelo como uma iluminação do caminho para o futuro, com a intenção de criar uma Ferrari que não seja apenas elétrica, mas que represente uma nova era para a marca.
A recepção negativa do mercado pode ser atribuída a uma combinação de fatores, incluindo a expectativa de que a Ferrari, uma marca tradicionalmente associada a carros esportivos de alto desempenho, se aventurasse no segmento de SUVs elétricos. Embora a Ferrari já tenha lançado o Purosangue, um SUV que foi bem recebido, o Luce parece ter gerado uma divisão entre os fãs da marca. Além disso, a queda nas ações da Ferrari pode ser vista como uma reação do mercado a incertezas sobre a aceitação do novo modelo e sua capacidade de competir com outras marcas de luxo que já dominam o segmento de veículos elétricos.
A montadora terá que trabalhar para convencer os investidores e consumidores de que o Luce é uma adição valiosa ao seu portfólio. A Ferrari, que sempre se destacou por sua engenharia e design inovador, agora enfrenta o desafio de se adaptar a um mercado em rápida transformação, onde a eletrificação é uma tendência crescente. O sucesso do Luce poderá determinar a direção futura da marca, à medida que ela busca equilibrar tradição e inovação em um mundo automotivo em constante evolução.
Com a apresentação do Luce, a Ferrari não apenas introduziu um novo modelo, mas também sinalizou sua intenção de se posicionar como uma líder no mercado de veículos elétricos de luxo. A resposta do público e do mercado financeiro nos próximos meses será crucial para avaliar o impacto dessa nova estratégia na imagem e no desempenho financeiro da marca.