Veja as 100 empresas que mais doam via leis de incentivo no país

Por Autor Redação TNRedação TN

Veja as 100 empresas que mais doam via leis de incentivo no país

O Panorama dos Incentivos Fiscais 2026, divulgado recentemente, revela que cem grupos empresariais concentraram 60% do valor investido em projetos via incentivos fiscais federais nos últimos cinco anos. Este levantamento destaca a importância das doações corporativas em diversas áreas, incluindo cultura, esporte, saúde e meio ambiente. A Vale se destaca como a maior doadora, contribuindo com 15,6% do total, seguida por Itaú Unibanco (7,8%), Nubank (4,9%) e Petrobras (4,5%).

Entre os investidores, 27% estão ligados a atividades financeiras, de seguros e atividades relacionadas, 23% pertencem à indústria da transformação e 17% às indústrias extrativistas. O estudo, realizado pela Simbi, mostra que entre 2020 e 2025, foram direcionados R$ 26,8 bilhões via leis federais e fundos sociais, além de R$ 4,3 bilhões via leis estaduais e municipais, envolvendo cerca de 34 mil investidores no Brasil. As leis de incentivo, como a Lei Federal de Incentivo à Cultura (Rouanet), a Lei de Incentivo ao Esporte e outros fundos sociais, têm sido fundamentais para o financiamento de projetos que beneficiam a sociedade.

No entanto, a pesquisa também aponta que menos de 1% dos contribuintes elegíveis no Brasil utilizam esses mecanismos, o que indica uma subutilização significativa. Essa realidade é preocupante, pois demonstra que, apesar do potencial de impacto social, muitos empresários ainda não se sentem motivados a participar desse tipo de iniciativa. Raphael Mayer, cofundador da Simbi, explica que a concentração de recursos nas mãos de poucos grupos é um reflexo da estrutura econômica do país, onde grandes conglomerados dominam a atividade econômica.

Ele ressalta que, se houver uma mudança de comportamento entre essas empresas, isso pode gerar impactos relevantes no volume e na direção dos investimentos sociais. Essa mudança poderia não apenas aumentar o montante investido, mas também diversificar as áreas beneficiadas, promovendo um desenvolvimento mais equilibrado e inclusivo. A advogada Juliana Furini, do escritório Mattos Filho, complementa que, apesar do potencial das leis de incentivo, muitas empresas ainda veem riscos associados a esse tipo de doação.

A preocupação com a responsabilidade em caso de problemas com os proponentes e a prestação de contas são fatores que inibem a participação de mais empresas nesse tipo de investimento. Essa percepção de risco é um obstáculo que precisa ser superado, e para isso, é fundamental que haja uma maior transparência e segurança nos processos de doação. O ranking das 100 empresas que mais doam via leis de incentivo federais entre 2020 e 2025 é um indicativo de como o setor privado pode contribuir para o desenvolvimento social e cultural do Brasil.

A lista inclui nomes como Santander, Shell Brasil, Votorantim Cimentos, e muitos outros que, juntos, demonstram que a responsabilidade social corporativa pode ser uma prioridade, mesmo em um cenário econômico desafiador. A presença dessas empresas no ranking evidencia que, apesar das dificuldades, é possível alinhar interesses empresariais com o bem-estar social. A análise do Panorama dos Incentivos Fiscais 2026 também destaca que a Lei Rouanet, criada em 1991, alcançou um recorde em 2025, com R$ 3,41 bilhões captados.

Isso mostra que, apesar das críticas e desafios enfrentados, o mecanismo ainda é uma ferramenta valiosa para o financiamento de projetos culturais no Brasil. A capacidade de captação de recursos por meio dessa lei reflete a importância da cultura na sociedade e a necessidade de apoio contínuo a iniciativas que promovam a arte e a educação. Com a crescente demanda por responsabilidade social e sustentabilidade, é essencial que mais empresas se engajem em iniciativas de doação e investimento social.

A mudança de mentalidade em relação ao uso das leis de incentivo pode não apenas beneficiar as empresas em termos de imagem e reputação, mas também contribuir significativamente para o bem-estar da sociedade como um todo. Portanto, é crucial que o setor privado reconheça seu papel e responsabilidade na construção de um futuro mais justo e igualitário para todos.

Tags: empresas que doam, Incentivos Fiscais, Responsabilidade Social, Lei Rouanet, investimento social Fonte: redir.folha.com.br