Goldman: eleições em países-chave para minério e cobre elevam riscos para mineradoras

Por Autor Redação TNRedação TN

Goldman: eleições em países-chave para minério e cobre elevam riscos para mineradoras

O Goldman Sachs emitiu um alerta sobre os riscos crescentes para as mineradoras em decorrência das eleições que se aproximam em países que representam entre 25% e 30% da oferta global de minério de ferro e cobre. O banco destaca que temas como minerais críticos, licenciamento ambiental, impostos e políticas energéticas devem ganhar ainda mais relevância para as mineradoras e os mercados de commodities em 2026. Após a conclusão de projetos de mineração, as empresas ficam expostas a mudanças regulatórias e políticas nos países onde operam, o que torna o cenário geopolítico um fator cada vez mais importante.

O relatório do Goldman também menciona que o conflito entre os EUA e o Irã aumentou as incertezas para as mineradoras, pressionando os custos de energia e levantando preocupações sobre a segurança dos suprimentos. Os investidores devem prestar atenção especial às eleições no Peru, Zâmbia, Suécia, Brasil e Estados Unidos. No Brasil, que é responsável por cerca de 24% da oferta global de minério de ferro, as pesquisas indicam uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.

Um escândalo político recente envolvendo o principal nome da oposição pode dar uma ligeira vantagem a Lula, mas ambos os líderes apresentam altos índices de rejeição, variando entre 45% e 55%. Para o Goldman Sachs, um novo governo Lula poderia resultar em maior pressão fiscal e uma possível elevação de impostos, além de uma abordagem mais multilateral em relação à política comercial e apoio mais seletivo a minerais críticos. Por outro lado, uma vitória de Bolsonaro poderia aliviar as restrições ambientais e fiscais para o setor.

Entre as empresas mais expostas ao Brasil estão a Vale (VALE3), que gera cerca de 90% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) estimado para 2026 no país, e a CSN Mineração (CMIN3), focada na produção de minério de ferro. No setor siderúrgico, o relatório menciona a ArcelorMittal e a Aperam. O Goldman recomenda que os investidores acompanhem de perto os movimentos relacionados aos minerais críticos e ao licenciamento ambiental.

A Política Nacional de Minerais Críticos do governo Lula prevê R$ 5 bilhões em incentivos fiscais e a criação do Fundo Garantidor de Atividades Minerárias (FGAM) para reduzir os riscos de investimentos em exploração mineral. Ao mesmo tempo, propostas para restringir exportações de terras raras não processadas e aumentar o escrutínio sobre aquisições estrangeiras de minerais estratégicos indicam uma postura mais intervencionista. A USA Rare Earth anunciou em abril de 2026 a compra da mina Serra Verde por US$ 2,8 bilhões.

O Goldman observa que um eventual governo Bolsonaro poderia adotar uma postura mais favorável ao mercado, embora o nacionalismo em relação aos recursos naturais possa surgir sob qualquer governo devido às pressões fiscais. Reformas para acelerar os licenciamentos ambientais seriam mais prováveis sob um governo de oposição do que em um quarto mandato de Lula. No que diz respeito aos royalties do minério de ferro, a CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) está atualmente em 3,5% sobre a receita líquida do minério de ferro e permanece estável desde a reforma de 2017.

O relatório aponta que tanto Lula quanto Bolsonaro enfrentariam restrições fiscais significativas, mantendo discussões sobre uma possível revisão dos royalties para aumentar a arrecadação. Mudanças na CFEM afetariam diretamente a Vale, a CSN Mineração e os ativos Minas-Rio, da Anglo American. O Goldman Sachs também destaca que as reservas brasileiras de minerais críticos estão atraindo o interesse de países como EUA, União Europeia e China.

Uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia aproximar o Brasil dos EUA, enquanto a continuidade de Lula tenderia a manter uma estratégia mais multilateral. O relatório alerta que possíveis restrições às exportações de minerais não processados poderiam impactar as cadeias globais de nióbio e terras raras. No Peru, que é responsável por cerca de 12% da oferta global de cobre, Keiko Fujimori lidera as pesquisas e defende políticas mais favoráveis ao mercado.

No entanto, propostas no Congresso para reduzir o prazo das concessões minerais podem diminuir a atratividade de investimentos de longo prazo, afetando mineradoras como Southern Copper, Freeport-McMoRan, Anglo American, Glencore, Nexa Resources e Hochschild Mining. Na Zâmbia, a continuidade das políticas do presidente Hakainde Hichilema, caso seja reeleito, seria positiva para investimentos no setor e reduziria a percepção de risco para mineradoras como First Quantum Minerals. Na Suécia, o foco estará em reformas de licenciamento, descarbonização da indústria siderúrgica e segurança energética.

Nos Estados Unidos, as eleições legislativas de meio de mandato podem influenciar a política comercial, fiscal e a estratégia para minerais críticos, com a continuidade de políticas fiscais expansionistas sendo favorável para os preços do ouro no longo prazo. Entre as principais empresas expostas estão as siderúrgicas norte-americanas Cleveland-Cliffs, Nucor, Steel Dynamics e Commercial Metals Company, além da brasileira Gerdau e das produtoras da região EMEA como Acerinox, Outokumpu e SSAB. O relatório também menciona as mineradoras Freeport-McMoRan, MP Materials, Barrick Mining e Alcoa, com a AngloGold Ashanti avançando com um projeto em Nevada que deverá adicionar cerca de 25% de crescimento de volume ao portfólio do grupo no início da década de 2030.

Tags: Goldman Sachs, mineradoras, minério, Cobre, Eleições, Brasil, Zâmbia, Peru Fonte: www.infomoney.com.br