Conselho do Corinthians aprova contas de 2025 com déficit milionário
O Conselho Deliberativo do Corinthians deliberou sobre as contas referentes ao ano de 2025. A reunião ocorreu nesta segunda-feira e contou com a presença de 178 conselheiros, resultando em um placar de 106 votos a favor da aprovação e 68 contra.
No encerramento do último exercício, o clube registrou um déficit significativo de R$ 143,4 milhões e uma dívida bruta que alcança R$ 2,7 bilhões.
O presidente Osmar Stabile comentou sobre a votação, destacando que a aprovação das contas é um reflexo da situação financeira real do clube:
— Fizemos uma coisa que nunca ninguém fez: nós limpamos as contas do Corinthians. Não ficou nada para trás.Ele enfatizou que a situação apresentada era a "realidade nua e crua" do Corinthians.
A apresentação das contas foi feita pelo gerente financeiro, André Lavieri. Durante a sessão, Lavieri se recusou a assinar um termo de responsabilidade que havia sido solicitado pelo presidente em exercício do Conselho, Leonardo Pantaleão. Apesar de não assinar, os presidentes Stabile e Emerson Piovesan assinaram o documento em seu nome.
Esta aprovação das contas não veio sem controvérsias. O balanço apresentado obteve pareceres de aprovação com ressalvas do Conselho Fiscal e do Conselho de Orientação (Cori), os quais levantaram preocupações sobre a continuidade operacional do clube, conforme relatado por uma auditoria independente.
Uma das principais preocupações expressadas pelos conselheiros foi a inclusão de uma transação tributária com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) nas contas de 2025. Essa renegociação resultou na diminuição da dívida de R$ 1,2 bilhão para R$ 679 milhões, após um desconto de 46,6%.
Segundo os auditores, havia uma discrepância nas informações financeiras, pois é alegado que o saldo dos impostos parcelados no passivo pode estar subavaliado e o patrimônio líquido, superavaliado. A diretoria do clube, no entanto, defendeu que o acordo já havia sido acertado no final do ano anterior, mesmo com a assinatura ocorrendo apenas em 2026.
Stabile fez uma defesa contundente da maneira como as contas foram apresentadas:
— Da maneira como foi feito foi melhor para a instituição, não causou danos.Ele abordou ainda a preocupação sobre a contabilização de despesas e receitas em anos diferentes, explicando que a abordagem adotada foi a mais adequada para a saúde financeira do clube.
O Corinthians reportou uma receita operacional líquida de R$ 810,1 milhões contra despesas operacionais totais de R$ 885,4 milhões. Apesar dos desafios financeiros, houve uma melhora na dívida bruta do clube em relação ao semestre anterior, que era de R$ 2,8 bilhões.
O conteúdo das contas indicou também a inclusão de R$ 205,5 milhões de prejuízo de anos anteriores no déficit acumulado, refletindo uma gestão conturbada e a transição de liderança no clube, que viu o afastamento do ex-presidente Augusto Melo e a ascensão de Stabile ao cargo.
Este cenário evidencia os desafios financeiros que o Corinthians enfrenta, bem como a pressão por transparência e responsabilidade na gestão das contas do clube.