Escolas criam regras para troca de figurinhas da Copa como forma de evitar conflitos

Por Autor Redação TNRedação TN

Escolas criam regras para troca de figurinhas da Copa como forma de evitar conflitos - Foto: Folha de S.Paulo

Com a aproximação da Copa do Mundo de 2026, as escolas de São Paulo estão adotando novas regras para a troca de figurinhas entre os alunos, visando evitar conflitos e promover a socialização. Em vez de proibir a prática, educadores acreditam que a troca de figurinhas pode ser uma oportunidade para os alunos interagirem e se afastarem do uso excessivo de celulares. No Colégio Villare, localizado em São Caetano do Sul, as trocas de figurinhas são permitidas apenas às segundas e sextas-feiras, em horários específicos, para não interferir na rotina escolar.

As regras foram discutidas em sala de aula e aprovadas em assembleia com a participação dos estudantes. A orientadora educacional do Villare, Silvia Gallo, afirma que é importante que a escola não se afaste das temáticas que fazem parte do cotidiano dos alunos. "Estamos entendendo que temáticas das quais a escola não pode se abster.

Não podemos ser um mundo à parte do que está fora da instituição", diz Gallo. A criação de regras para a troca de figurinhas não é uma novidade. Em 2018, a escola interveio após surgirem conflitos por trocas consideradas injustas.

Em 2022, a instituição já havia antecipado o problema e estabelecido normas antes do lançamento do álbum. O jogo do "bafo", onde os alunos batem cartas no chão para virá-las, é uma das formas mais populares de ganhar figurinhas, mas também é uma fonte de conflitos, devido à diferença de habilidades entre as crianças. Para evitar problemas, os alunos agora utilizam apenas figurinhas comuns e devem combinar previamente se a rodada é recreativa ou envolve apostas.

Além disso, a troca de figurinhas se tornou um exercício de negociação, especialmente entre os alunos mais velhos, que costumam fazer acordos mais complexos. Já os mais novos tendem a ser mais vulneráveis, o que exige mediação para garantir que não sejam prejudicados. Mário Fioranelli, diretor do Centro Educacional Pioneiro, explica que as crianças mais novas têm uma relação mais emocional com as figurinhas, enquanto os mais velhos são mais pragmáticos, focados em completar o álbum.

Na Vila Clementino, zona sul de São Paulo, uma instituição decidiu não intervir no valor das trocas, mas restringiu as negociações aos intervalos e aos períodos antes ou depois das aulas. Com os celulares proibidos durante o dia, as trocas físicas ganharam ainda mais espaço nos recreios. Fioranelli observa que a ausência dos aparelhos eletrônicos aumentou a interação entre os alunos, e a febre das figurinhas intensificou essa interação.

Os pais também estão se envolvendo nas trocas. No colégio Magno, na zona sul de São Paulo, muitos adultos têm interferido nas negociações dos filhos, frequentemente de forma desproporcional. A diretora Claudia Tricate relata que a escola recebe bilhetes e reclamações sobre trocas que consideram injustas.

Para preservar a rotina, as trocas não são permitidas dentro da sala de aula, e a venda de figurinhas entre alunos é vetada. "O que está acontecendo muito agora é que os adultos interferem na brincadeira das crianças, mandando avisos para a escola dizendo que o filho tinha uma figurinha de muito valor e trocou por poucas", explica Tricate. Apesar das interferências, nem todas são negativas.

Há casos em que os pais ajudam a organizar as coleções e acompanham os filhos nas compras de figurinhas. No Centro Educacional Pioneiro, os alunos do 9º ano do fundamental e do 3º ano do médio vendem figurinhas em barracas durante eventos escolares para financiar viagens e festas de formatura. "Aquilo que poderia ter tensão, ao contrário, gerou um movimento de engajamento muito bacana", afirma Fioranelli.

A cada quatro anos, a Copa do Mundo traz uma dinâmica diferente, especialmente com a chegada de novas gerações nas escolas. Tricate acredita que, desta vez, os adolescentes estão mais apressados para completar o álbum, uma impaciência que ela atribui ao ritmo acelerado imposto pela tecnologia. Mesmo com as regras estabelecidas, conflitos ainda ocorrem, mas muitos educadores veem essas situações como oportunidades de aprendizado.

Deivis Pothin, diretor-geral da Escola Bilíngue Pueri Domus, afirma que as divergências são uma chance para trabalhar a resolução de conflitos e o respeito aos acordos estabelecidos. As trocas são permitidas apenas no intervalo das sextas-feiras, e pequenas discussões são vistas como oportunidades de aprendizado.

Tags: Copa do Mundo, figurinhas, Escolas, troca de figurinhas, Conflitos Fonte: redir.folha.com.br