O Esporte Clube Noroeste, após uma vitória convincente de 3 a 0 sobre o Velo Clube, se viu envolvido em uma polêmica que trouxe à tona questões de racismo no futebol. Durante a partida, o massagista do Velo, Éder, relatou ter sido alvo de ofensas racistas, afirmando que um torcedor o chamou de "macaco". A situação gerou grande comoção, levando a árbitra a interromper o jogo por quase dez minutos para que o protocolo antirracismo fosse acionado.
Após o incidente, o Noroeste identificou um adolescente de 16 anos como o suposto autor da ofensa. O presidente da SAF do Noroeste, Reinaldo Mandaliti, se manifestou em coletiva de imprensa, afirmando que o jovem negou ter proferido a ofensa racista, alegando que o que disse foi "palhaço". Mandaliti destacou a importância de investigar a situação, afirmando que o clube repudia qualquer forma de racismo e que tomará as medidas necessárias para apurar os fatos.
"Quando temos um problema, temos que resolver. Quando houve o protocolo de antirracismo, a gente interviu rapidamente e o clube repudia qualquer tipo de atitude racista. Não posso aceitar.
Quando abordei, identificamos um menino de 16 anos que afirma categoricamente que chamou de 'palhaço'. Conversamos com várias pessoas que confirmaram o 'palhaço'. Chamamos a Polícia Militar para que façam os procedimentos.
Vamos abrir um procedimento interno de instauração no clube, porque isso é muito grave e sério", disse Mandaliti. A situação se agravou quando Éder, o massagista ofendido, foi visto chorando após o relato, recebendo apoio de jogadores e membros das comissões técnicas de ambos os clubes. O Velo Clube, por sua vez, também se manifestou, emitindo uma nota de repúdio ao racismo, afirmando que a atitude é inadmissível e que o clube dará todo o suporte necessário ao seu funcionário.
"O Velo Clube repudia de forma veemente qualquer ato de discriminação e racismo. Na partida deste sábado contra o Noroeste, nosso massagista Éder foi vítima de um episódio de racismo, uma atitude inadmissível que fere não apenas o profissional e ser humano que ele é, mas também todos os valores que defendemos como instituição. Prestamos total solidariedade ao Éder e reforçamos que o clube dará todo o suporte necessário, acompanhando o caso e tomando as medidas cabíveis para que os responsáveis sejam devidamente identificados e punidos", diz a nota do Velo Clube.
O Noroeste também se posicionou, reafirmando seu compromisso com a igualdade e o respeito no esporte. "O Esporte Clube Noroeste vem a público manifestar absoluto repúdio a qualquer ato de racismo, discriminação ou intolerância. Sobre o suposto episódio ocorrido na partida deste sábado, envolvendo um integrante da comissão técnica do Velo Clube, o Noroeste informa que está acompanhando atentamente a situação e se coloca à disposição para colaborar com a apuração dos fatos pelos órgãos competentes.
O clube reforça que não compactua com qualquer comportamento que vá contra os princípios do respeito, da igualdade e da dignidade humana, valores que devem prevalecer dentro e fora dos estádios. O Noroeste acredita que o futebol deve ser um ambiente de paixão, respeito e união entre as pessoas." O caso levanta questões importantes sobre o racismo no futebol brasileiro e a necessidade de um ambiente mais respeitoso e inclusivo.
A investigação em curso poderá esclarecer os fatos e, se necessário, punir os responsáveis, reafirmando que o racismo não tem lugar no esporte.