A tenista bielorrussa Aryna Sabalenka, atual número 1 do mundo, se defendeu de críticas após usar joias avaliadas em R$ 760 mil durante sua vitória sobre a espanhola Jessica Bouzas Maneiro, na última terça-feira (26), em Roland Garros. As joias, que incluem dois colares e brincos compostos por 15,6 quilates de diamantes e granadas de 136,5 quilates, chamaram a atenção em meio a um protesto sobre a premiação do torneio. Após a partida, Sabalenka participou de uma entrevista coletiva que foi interrompida aos 15 minutos por um protesto contra o valor da premiação do torneio.
Durante a coletiva, a tenista foi questionada se o uso das joias poderia ser visto como uma hipocrisia, dado o contexto das reclamações sobre a premiação. Sabalenka respondeu: "Não entendo como podem confundir duas coisas tão diferentes. Como disse antes, a premiação em dinheiro não tem nada a ver comigo.
Trata-se de lutar pelas jogadoras de ranking mais baixo, que realmente batalham para sobreviver no mundo do tênis. Não tem relação comigo ou com eu estar brigando por premiação". A tenista enfatizou que sua luta é pela igualdade na distribuição das receitas do esporte, especialmente para as jogadoras que enfrentam dificuldades financeiras.
"Todo mundo sabe que estou bem. Lutamos por uma divisão justa das receitas e também pelas atletas de menor ranking, pelas que retornam de lesão, para que a próxima geração se sinta mais confortável ao entrar no top 10. Então, não se trata de mim", completou.
O protesto dos tenistas em Roland Garros surgiu após a organização do torneio anunciar um aumento de apenas 10% na premiação em relação ao ano anterior, o que é considerado insuficiente pelos atletas. Eles alegam que, em termos percentuais da receita, o valor total dos prêmios está sendo reduzido. Em 2025, Roland Garros gerou 395 milhões de euros (cerca de R$ 2,31 bilhões) em receita, mas a premiação aumentou apenas 5,4%, reduzindo a participação dos jogadores para 14,3%.
Os campeões de simples masculino e feminino recebem 2,8 milhões de euros (aproximadamente R$ 16 milhões) cada, enquanto os vice-campeões ganham 1,4 milhão de euros (mais de R$ 8 milhões). Os semifinalistas levam 750 mil euros (R$ 4,39 milhões) e os eliminados na primeira rodada recebem 87 mil euros (R$ 509 mil). Os vencedores das duplas masculina e feminina recebem 600 mil euros (R$ 3,51 milhões) e os campeões de duplas mistas, 122 mil euros (R$ 713,7 mil).
A situação em Roland Garros levanta questões sobre a equidade no esporte, especialmente em um momento em que as jogadoras estão se unindo para exigir melhores condições e uma distribuição mais justa dos prêmios. A luta de Sabalenka e de outras atletas reflete um desejo crescente por mudanças que beneficiem não apenas as estrelas do esporte, mas também as jogadoras que estão em início de carreira ou que enfrentam dificuldades financeiras. A tenista bielorrussa, que já se destacou em várias competições, continua a ser uma voz ativa nas discussões sobre igualdade no esporte.
Sua postura em relação às críticas e seu compromisso com a luta por melhores condições para todas as jogadoras são aspectos que a tornam uma figura importante no cenário do tênis mundial. A expectativa é que, com o apoio de outras atletas, mudanças significativas possam ocorrer nas próximas edições de grandes torneios, como Roland Garros. Assim, a defesa de Sabalenka não é apenas uma resposta a críticas pessoais, mas um reflexo de uma luta coletiva por justiça e igualdade no esporte, que ressoa entre muitas jogadoras que enfrentam desafios semelhantes em suas carreiras.