O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou a realização do primeiro censo nacional dedicado à população em situação de rua no Brasil. Esta iniciativa inédita visa mapear de forma abrangente e detalhada esse grupo social, cuja realidade é marcada pela ausência de domicílio fixo e pela vulnerabilidade social.
Início das abordagens e divulgação dos resultados
As abordagens para o censo terão início ainda em 2026, com equipes do IBGE realizando visitas e entrevistas nas ruas. O diferencial deste levantamento é a participação de pessoas que já vivenciaram ou ainda vivem em situação de rua, o que busca promover uma abordagem mais empática e eficaz. Os resultados oficiais do censo serão divulgados a partir de 2028, oferecendo dados fundamentais para a formulação de políticas públicas.
Metodologia inovadora e abrangente
A metodologia do censo foi lançada no dia 28 de abril de 2026, no Centro de Atendimento Integrado às Pessoas, localizado no Centro do Rio de Janeiro. O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, destacou que o levantamento vai além da população que literalmente dorme nas ruas, incluindo também pessoas que vivem em automóveis ou em abrigos, ampliando o conceito de ausência de endereço fixo.
Segundo Pochmann, um teste piloto realizado em Niterói permitiu compreender melhor essa diversidade de situações, reforçando a necessidade de um levantamento mais amplo para identificar todos os que não possuem domicílio estabelecido.
Participação de órgãos públicos e movimentos sociais
O evento de lançamento contou com a presença de representantes de movimentos sociais, órgãos da Prefeitura do Rio de Janeiro e do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). O TJRJ contribuirá com dados já levantados pela Justiça, ampliando a base de informações para o estudo.
“Já temos alguns dados estatísticos catalogados e uma realidade. São atendidos aqui atrás, 200 pessoas por dia, mais à frente tem o restaurante popular. E aqui é o local onde as pessoas podem tirar seus documentos”, afirmou o desembargador Marco Aurélio Bezerra de Melo. Ele acrescentou: “O que se quer é um diagnóstico, pra que tenhamos um prognóstico com as políticas públicas pra resgatar a cidadania dessas pessoas.”
Importância social do censo
Flávio Lino, secretário-executivo do Movimento Nacional da População de Rua do Rio de Janeiro, que viveu por quatro anos em situação de vulnerabilidade, ressaltou a relevância do censo para a sociedade. Ele destacou que é fundamental conhecer quem são essas pessoas, suas necessidades e o acesso que têm às políticas públicas.
“A sociedade precisa saber quem são essas pessoas que estão nas ruas, o que elas estão precisando, quais são as políticas que têm acessíveis para elas e como elas conseguem acessar. A gente precisa saber que essas pessoas têm CPF, nome, sobrenome, votam. E onde elas estão?”, afirmou Lino. “O IBGE vai conseguir, através desse primeiro censo nacional, trazer pra sociedade esse abrir de olhos. Pra que aquelas pessoas que estão ali nas calçadas e ruas sejam invisíveis e sim visíveis.”
Contexto atual da população em situação de rua
Dados recentes da Prefeitura do Rio de Janeiro, referentes a 2024, indicam que a cidade possui 8.195 pessoas em situação de rua. O censo nacional do IBGE pretende ampliar o conhecimento sobre esse público em todo o país, fornecendo informações essenciais para a criação e aprimoramento de políticas públicas que promovam a inclusão social e o resgate da cidadania.
Com a realização deste censo, o Brasil dá um passo importante para reconhecer e enfrentar os desafios enfrentados pela população em situação de rua, buscando garantir direitos e condições dignas de vida para todos.