Na Alemanha, um novo ciclo de protestos tomou conta do país em resposta à decisão do partido conservador de acolher apoio da ultradireita em um projeto anti-imigração. Com as eleições federais se aproximando, as manifestações refletem a insatisfação popular com o fim do isolamento do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) no parlamento. Os protestos também foram direcionados ao candidato a chanceler, Friedrich Merz, da União Democrata Cristã (CDU).
Cidades como Aachen, Augsburg, Braunschweig, Bremen, Colônia, Essen, Frankfurt, Hamburgo, Karlsruhe, Leipzig e Würzburg presenciaram grandes multidões se unindo às manifestações. Um evento ainda maior é aguardado para amanhã em Berlim.
As ações de protesto tiveram como foco principal o candidato a chanceler Friedrich Merz, que submeteu uma moção e um projeto de lei anti-imigração para discussão no Bundestag. Este movimento recebeu apoio do Partido Liberal Democrático (FDP) e da aliança populista de esquerda liderada por Sahra Wagenknecht (BSW), além do apoio notável da AfD, um partido frequentemente considerado suspeito de extremismo.
Na última quarta-feira, os três partidos aprovaram uma moção não vinculativa sobre a questão da imigração, e na sexta-feira, uma proposta de 'Lei do Fluxo Migratório' foi derrotada por uma margem apertada. A insistência de Merz em dar prosseguimento a esses projetos, ciente da necessidade de apoio da AfD para a aprovação, foi amplamente criticada como uma violação do chamado 'cordão sanitário', um consenso político estabelecido após a Segunda Guerra Mundial para evitar que a ultradireita ganhasse poder.
A ex-chanceler Angela Merkel, que ocupou a liderança da CDU antes de Merz, também foi um tema central nas manifestações. Durante seu mandato, Merkel adotou uma política mais aberta em relação aos imigrantes sírios e afegãos. Recentemente, ela criticou abertamente Merz, condenando qualquer tipo de colaboração com a AfD.
Enquanto isso, em Colônia, manifestantes exibiam cartazes com a frase 'Fritz, ouça a Mutti!', uma referência carinhosa ao apelido de Merkel, 'Mutti' (mãezinha). O ministro da Saúde, Karl Lauterbach, também se fez presente na manifestação em frente à emblemática Catedral de Colônia.
Nos protestos que ocorreram em cidades menores, como Neu-Isenburg, Göttingen e Hildesheim, a principal indignação dos manifestantes era direcionada à própria AfD. Em Neu-Isenburg, confrontos e tentativas de vandalismo contra veículos policiais ocorreram durante um evento de campanha da AfD. Outro foco de protesto foi o movimento 'Querdenker' ('pensadores divergentes'), que organizou atividades sob o lema 'Políticas contra o povo?'. Este movimento, que emergiu como reação às restrições impostas durante a pandemia de covid-19, se opõe a uma série de políticas governamentais, incluindo imigração e vacinação.
Em resposta, a Aliança contra a Direita, composta por grupos e organizações da sociedade civil, organizou contra-manifestações em várias cidades, buscando deslegitimar a narrativa dos Querdenker. Esses contra-manifestantes enfrentaram os policiais, que relataram ter sido alvo de ataques com fogos de artifício e outros objetos, levando à necessidade de intervenções policiais para controlar os tumultos.
Apesar da tensão gerada pelos protestos e críticas à postura de Merz, ele continua recebendo apoio da União Social-Cristã (CSU), seu partido irmão na Baviera. O líder da CSU, Markus Söder, expressou publicamente apoio às votações recentes no Bundestag, considerando-as uma decisão essencial. “Ele escolheu esse caminho como candidato da CDU à chancelaria e mostrou que está comprometido em reverter a política de refúgio”, declarou Söder, que também é o primeiro-ministro da Baviera.