Em uma decisão que promete repercussões significativas, o governo indiano iniciou a construção acelerada de seis projetos hidrelétricos na região da Caxemira, logo após a suspensão do Tratado das Águas do Indo, vigente desde 1960, com o Paquistão. A medida, confirmada por fontes governamentais em Nova Deli, foi motivada pela necessidade de redirecionar recursos hídricos dos rios ocidentais, como o Indo, Jhelum e Chenab, anteriormente destinados ao Paquistão. Isso ocorre em resposta a alegações de "terrorismo transfronteiriço sustentado" e à recusa do Paquistão em renegociar os termos do acordo.
Suspensão do Tratado das Águas do Indo
A suspensão do tratado foi formalizada em abril de 2025, através de uma carta do Ministério de Recursos Hídricos indiano, eliminando garantias de compartilhamento hídrico que resistiram a quatro guerras entre os vizinhos. O acordo original estabelecia a divisão do controle da bacia do Indo, com os rios orientais, como Ravi, Beas e Sutlej, destinados à Índia, enquanto os rios ocidentais deveriam ser direcionados ao Paquistão.
Projetos Hidrelétricos Prioritários
A Índia foca em seis projetos na bacia do Chenab, incluindo as usinas de Kishanganga (330 MW) e Ratle, que têm sido alvo de disputas legais desde 2016. Dados indicam que os engenheiros indianos já realizaram modificações na estrutura da represa de Baglihar, alterando o fluxo das águas em direção ao Paquistão.
"A decisão transforma um processo burocrático em uma ferramenta geopolítica direta", analisa Daniel Haines, especialista em conflitos hídricos da UCL.
Impactos dos Projetos
- Agricultura Paquistanesa: Regiões como o Punjab podem enfrentar sérios problemas de irrigação durante a safra de verão.
- Arbitragem Internacional: A Índia decidiu abandonar processos de mediação do Banco Mundial sobre os projetos de Kishanganga e Ratle, considerando-os "inviáveis".
- Segurança Regional: A movimentação ocorre em um contexto de tensão, após ataques terroristas em Jammu e Caxemira, atribuídos a grupos com base no Paquistão.
Próximos Passos e Consequências
O governo indiano considera o desenvolvimento de infraestruturas adicionais para garantir o controle total das águas ocidentais. Em resposta, o Paquistão ameaçou levar a situação à Corte Internacional de Justiça. Especialistas alertam sobre os riscos de um colapso no sistema bilaterale a potencial escassez hídrica entre as nações, que pode deteriorar ainda mais a já delicada relação entre os dois países.
Esta situação ilustra a complexidade da geopolítica da água na região, onde a abundância hídrica se converte em um fator de tensões crescentes. As ações indianas podem redefinir a dinâmica regional e provocar uma crise de gestão hídrica que, historicamente, tem estado ligada a desastres humanitários.