Por que o Prata é Mais Arriscado que o Ouro Segundo Goldman Sachs

Por Autor Redação TNRedação TN

Clientes na Índia compram joias de ouro enquanto a prata lidera rally de metais. Reprodução: Retorno do item 11

O mercado de metais preciosos está em ebulição, especialmente com a recente valorização do prata, que subiu impressionantes 70% neste ano, superando o aumento de 50% do ouro. Essa ascensão rápida atraiu a atenção dos investidores, mas, segundo os analistas do Goldman Sachs, o rali do prata pode ser arriscado e volátil.

No início desta semana, durante as negociações globais, o prata alcançou um recorde de $51,38 por onça, enquanto o ouro também atingiu um novo patamar, aproximando-se de $4.060 por onça. Essa valorização em ambos os metais foi impulsionada pela expectativa de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve e por uma demanda crescente por ativos considerados seguros após a recente escalada nas tensões comerciais, particularmente entre os Estados Unidos e a China.

No entanto, conforme alertado pelos especialistas do Goldman Sachs, apesar do provável aumento dos preços do prata no médio prazo devido a cortes nas taxas de juros, a volatilidade e o risco de queda são significativamente maiores em comparação ao ouro. "Apenas o ouro é respaldado por um suporte estrutural das reservas dos bancos centrais", afirmam os analistas.

Historicamente, os preços do prata e do ouro tendem a se mover em sinergia, mas essa relação tem mudado nos últimos anos, impulsionada pelo aumento nas compras de ouro por bancos centrais. Ao contrário do ouro, que é considerado um ativo seguro, o prata tem um uso industrial significativo, especialmente em tecnologias como painéis solares, tornando-o menos confiável como um hedge contra crises econômicas.

Os analistas destacam ainda que o prata não é reconhecido nas estruturas de reserva do FMI e não está presente de forma significativa nas carteiras dos bancos centrais. Eles também refutaram a noção de que a alta nos preços do ouro levaria a um movimento dos bancos centrais em direção ao prata. De acordo com eles, os bancos centrais não operam com base na ânsia por peso, mas sim na gestão de valor.

A falta de um suporte robusto dos bancos centrais torna o mercado de prata extremamente susceptível a flutuações, indicando que até mesmo uma leve retração no fluxo de investimentos pode causar correções significativas nos preços. Atualmente, o mercado de prata é cerca de nove vezes menor que o de ouro, o que significa que cada dólar investido tem um impacto muito maior no preço do prata.

Nos últimos meses, essa dinâmica tornou-se visível, com os preços do prata crescendo mais de 35% desde o final de agosto. Essa escalada foi exacerbada por uma pressão de liquidez em Londres, onde os estoques de prata caíram para mínimas históricas.

O Goldman Sachs caracteriza o prata como uma versão turboalimentada do ouro. Em tempos de incerteza econômica, o prata pode superar o ouro, porém, quando a percepção do mercado muda, as quedas tendem a ser mais acentuadas. Portanto, sem um respaldo das instituições centrais, o futuro do prata permanece incerto, especialmente diante da alteração no fluxo de investimentos.

Tags: Ouro, Prata, Goldman Sachs, Metais Preciosos, Volatilidade Fonte: markets.businessinsider.com