A transformação impulsionada pela inteligência artificial (IA) está prestes a impactar significativamente a estrutura de emprego nos bancos, conforme aponta Sopnendu Mohanty, um veterano com quase 20 anos de experiência na Citi e atualmente CEO da GFTN, uma empresa global de consultoria e investimentos. Segundo ele, as funções de retaguarda são as que mais sofrerão com essa revolução tecnológica.
Mohanty, que também cofundou o Festival de FinTech de Cingapura e foi o primeiro diretor de fintech do banco central de Cingapura, destacou que as experiências dos trabalhadores nas áreas de frente e retaguarda dos bancos serão drasticamente diferentes com a introdução da IA. "A frente é toda voltada para o cliente, o meio é apenas para o banco, e a retaguarda se dedica a processar todas as atividades", explicou.
Aumento de vagas no setor bancário
Apesar das preocupações com a eliminação de empregos, Mohanty prevê um aumento nas vagas de trabalho da linha de frente, abrangendo setores como investimento, vendas e negociação, além de banca corporativa. Na sua análise, o meio escritório, responsável pela gestão de riscos, controles financeiros e conformidade, também deve se beneficiar da implementação de tecnologias baseadas em IA. "O meio escritório é totalmente voltado para a produtividade interna. Isso definitivamente melhorará, pois as ferramentas de IA proporcionarão maior eficiência", destacou.
Desafios nas funções de retaguarda
Por outro lado, as funções de retaguarda, que englobam áreas como tecnologia da informação, recursos humanos e liquidações comerciais, parecem estar mais vulneráveis. "O trabalho de retaguarda pode ser reduzido porque estamos automatizando muitas tarefas de forma mais eficaz. Haverá um grande impacto nos empregos relacionados a essa área", alertou Mohanty.
Perspectivas de líderes do setor financeiro
A ascensão da IA tem gerado preocupações sobre sua capacidade de eliminar completamente certos cargos. O CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, mencionou em uma carta aos acionistas que a IA tem o potencial de aumentar praticamente todos os empregos, além de impactar a composição da força de trabalho. "Pode reduzir certas categorias de emprego, mas também criar novas oportunidades", disse Dimon.
Além disso, na reunião anual com investidores em maio, os executivos do JPMorgan afirmaram que a IA causaria reduções nos quadros de funcionários e uma desaceleração nas contratações. Marianne Lake, CEO do setor de consumo e comunidade do JPMorgan, previu uma diminuição de 10% na equipe operacional devido à automação, enquanto Jeremy Barnum, CFO do banco, convocou seus colaboradores a concentrar esforços em eficiência em vez de expansão de pessoal.
Com essas mudanças, o mercado financeiro se encontra em um ponto de inflexão, onde a adoção de novas tecnologias não apenas redefine suas operações, mas também desafia o futuro dos empregos dentro das instituições financeiras.