Liberação do Gendarme Gallo revela tensão entre AFA e governo Milei
Após 15 meses de detenção e isolamento na Venezuela, o gendarme argentino Nahuel Gallo retornou a Buenos Aires hoje. Sua libertação, que era um desejo expresso do governo de Javier Milei, se revelou um revés para o presidente, visto que a administração ficou de fora das negociações e a Associação do Futebol Argentino (AFA) assumiu as rédeas das tratativas.
Gallo, de 33 anos, foi libertado no domingo e chegou à capital argentina em um avião particular pago pela AFA. Ele foi recebido com emoção por sua esposa, a venezuelana Maria Alexandra Gómez, e seu filho Víctor. “Graças a Deus… por este milagre que nos dá vida novamente”, escreveu Gómez em redes sociais. A recepção no aeroporto contou com a presença de autoridades como o Ministro de Relações Exteriores, Pablo Quirno, e a Senadora Patricia Bullrich.
Gallo havia sido detido em 8 de dezembro de 2024, acusado pelo regime de Nicolás Maduro de fazer parte de um “plano criminal”. A hostilidade entre Milei e Maduro obstruiu as negociações entre Argentina e Venezuela, com relações diplomáticas rompidas desde agosto de 2024. O cenário se complicou ainda mais após a detenção de Maduro por parte dos Estados Unidos no início do ano.
A libertação de Gallo foi anunciada em um comunicado da AFA, que o descreveu como "um ato humanitário" e agradeceu à presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, por sua "sensibilidade". As negociações começaram há quase um ano através da AFA e da Federação Venezuelana de Futebol, liderada por Claudio Tapia, que desde 2017 preside a AFA e é visto como um opositor ao governo atual.
O clima de tensão entre a AFA e o governo Milei se acirrou, uma vez que Gallo foi libertado sem que a administração do presidente, identificado com a ultradireita, estivesse ciente das ações da associação. Durante seu discurso na abertura das sessões legislativas, Milei fez questão de não mencionar a liberação do gendarme. A senadora Bullrich também criticou a falta de envolvimento do governo, insinuando que a AFA buscou aliados que compartilhassem da ideologia chavista para negociar a libertação de Gallo.
“Os envolvidos terão que explicar sua relação com o chavismo”, disse o Chefe de Gabinete, Manuel Adorni, refletindo o descontentamento do governo com a maneira como a AFA lidou com o caso. A situação destaca as rivalidades políticas que permeiam o cenário argentino e como o futebol, uma paixão nacional, se entrelaça com a política.
No entanto, apesar da euforia pela volta de Gallo, a situação negativa permanece com a prisão do advogado argentino Germán Giuliani na Venezuela, cuja irmã fez um apelo público por sua libertação, evidenciando a complexidade das relações e situações que cercam o ímpeto de libertação de detidos.