Tensões entre Estados Unidos e México sobre petróleo para Cuba
Os Estados Unidos decidiram que a liberação de petróleo estrangeiro para Cuba será analisada "caso por caso", conforme anunciado pela Casa Branca. Essa decisão surge em um momento de crise energética na ilha, que é agravada pela escassez de petróleo e por constantes apagões. O embargo energético contra Cuba, em vigor desde janeiro, complica ainda mais a situação local.
A autorização para um navio-tanque russo levar combustível a Cuba pode ser vista como um gesto em resposta às necessidades humanitárias da população cubana. De acordo com Karoline Leavitt, porta-voz do ex-presidente Donald Trump, "o formal não representa um mudança de política" por parte dos EUA. Ela fez essa afirmação em uma conferência de imprensa, enfatizando que as decisões de envio de petróleo serão cuidadosamente consideradas.
As dificuldades enfrentadas pelos hospitais e o transporte limitado devido à crise energética têm levado diversos países, incluindo o México, a enviar ajuda humanitária para Cuba. Os problemas econômicos gerados pelo embargo são profundos, e o secretário de Estado Marco Rubio apontou que a economia cubana não poderá se recuperar sem mudanças significativas no sistema político do país.
A chegada de 700.000 barris de petróleo no navio russo é vista como crucial para a manutenção das centrais elétricas em Cuba, que dependem em grande parte de combustíveis fósseis. Apesar das tentativas de Cuba de diversificar sua matriz energética com energia solar, a dependência do petróleo continua a ser um desafio permanente.
O México, por sua vez, deseja retomar os envios de hidrocarbonetos para Cuba, especialmente agora que o navio russo conseguiu romper o bloqueio energético. A presidenta Claudia Sheinbaum informou que seu governo está em conversações com a administração cubana para recomeçar os fornecimentos. O último navio mexicano a aportar em Cuba foi o Ocean Mariner, que trouxe 80.000 barris de petróleo.
Após as ameaças de Trump de impor tarifas sobre países que fornecessem petróleo a Cuba, o México havia parado seus envios planejados anteriormente. Entretanto, Sheinbaum já enviou mais de 2.000 toneladas de ajuda humanitária e afirmou que essa assistência continuará, desde que as relações comerciais do México não sejam comprometidas.
A presidenta mexicana ainda não tomou uma decisão final sobre a retoma dos envios, que geralmente demoram cerca de quatro dias para chegar a Cuba após saírem dos portos mexicanos. Historicamente, o México tem sido um dos poucos países a enviar petróleo para Cuba desde 1993, sempre em quantidades reduzidas.
A partir de 2024, após a posse de Sheinbaum, os volumes de envios aumentaram de forma significativa. Dados mais recentes indicam que Cuba recebia aproximadamente 17.200 barris diários do México. Ademais, Sheinbaum reconheceu que empresas privadas também estão interessadas em adquirir combustíveis da Petróleos Mexicanos (Pemex) para ferry motivos com Cuba.