Presidente do Colômbia pede demissão de comandante da Força Aérea
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, solicitou a renúncia do comandante da Força Aérea Colombiana (FAC), Carlos Fernando Silva, após um acidente aéreo trágico envolvendo um avião militar que resultou na morte de 69 pessoas. A solicitação segue um intenso desacordo público entre Petro e Silva sobre as causas do acidente, que ocorreu na região de Putumayo.
Durante uma reunião transmitida ao vivo do Conselho de Ministros, realizada na semana passada, o presidente criticou fortemente a antiguidade do avião, que foi fabricado há mais de quatro décadas. Petro considerou o fato de que um avião tão velho estivesse operando com tropas como uma responsabilidade direta do governo anterior e indiretamente, dos Estados Unidos, que doaram uma aeronave obsoleta. "O que aconteceu foi um veículo em decadência levando tropas", enfatizou o presidente, que também teria mencionado em suas redes sociais que "compraram uma sucata e ela caiu".
Contrapondo o presidente, o general Silva, que possui mais de 8.000 horas de voo, argumentou que a aeronave ainda tinha uma vida útil significativa, com aproximadamente 20.000 horas de voo disponíveis. Em uma troca animada, ele foi questionado por Petro sobre a possibilidade de a aeronave durar um século. Silva afirmou que sim, e reafirmou que existem aviões na força que têm até 80 anos de uso.
Essa troca acalorada se tornou um foco central, com milhões de colombianos acompanhando esse embate que revelou visões opostas sobre o acidente do Hércules C-130. O que poderia ter sido uma discussão técnica rapidamente se transformou em um conflito político que coloca em risco o cargo de Silva após apenas quatro meses de sua nomeação.
A situação não se relaciona apenas ao acidente em si, cujas causas ainda estão sob investigação, mas à forma como Silva conduziu sua intervenção durante a reunião. Fontes próximas ao presidente afirmam que ele acredita que o comandante não soube aproveitar a oportunidade de defender a necessidade de modernização da frota aérea do país, um tema que Petro tem enfatizado no governo. Silva não abordou um cenário crítico que poderia ter influenciado a política de defesa em um momento decisivo.
O Conpes — Conselho Nacional de Política Econômica e Social — é mencionado como um mecanismo chave para desbloquear investimentos estratégicos, como a renovação da frota aérea. A expectativa era que esse espaço político tivesse sido utilizado por Silva para defender a atualização da capacidade aérea militar.
Após a solicitação de demissão feita por Petro, a formalização do pedido deverá ser tramitada pelo Departamento Administrativo da Presidência da República (DAPRE), o órgão responsável por nomeações e demissões na Colômbia. O presidente possui a autoridade exclusiva de nomear e dispensar chefes das forças armadas, o que pode resultar em mudanças significativas após décadas de serviço dos oficiais. Silva foi nomeado pelo presidente Petro em 27 de dezembro, mas agora sua permanência no cargo está em dúvida, com o ministro da Defesa tendo um papel central na mediação entre o comando militar e o presidente.