Silvia Labayru é impedida de entrar nos EUA após despertar suspeitas

Por Autor Redação TNRedação TN

Protagonista de La llamada, vítima da ditadura argentina, teve a entrada negada pelos EUA.. Reprodução: Elpais

Silvia Labayru é impedida de entrar nos EUA após despertar suspeitas

A argentina Silvia Labayru, aos 69 anos, é uma sobrevivente da ditadura militar argentina que ficou famosa por sua história retratada no livro “La llamada”, escrito pela jornalista Leila Guerriero. No entanto, sua recente tentativa de entrar nos Estados Unidos foi frustrada de forma abrupta e sem explicações.

No último mês de março, Labayru se apresentou no aeroporto de Ciudad de México para embarcar em um voo para San Antonio, no Texas. Com seu passaporte espanhol e visto regular, ela se preparava para visitar amigos, incluindo um casal de advogados americanos. Mas, poucos instantes após o avião iniciar o movimento, foi abordada por três homens uniformizados, que ordenaram sua saída do voo. Sem justificativa clara, disseram: “Você não pode viajar, não há explicação”.

Guardiões da ordem, que não se identificaram como policiais ou membros da equipe da companhia aérea, negaram a Labayru até mesmo a informação formal sobre os motivos da negativa. Em entrevista, ela relatou: “Fui informada de que era uma ordem dos Estados Unidos. Após duas horas de espera em pé, sem que ninguém aparecesse para me explicar, deixaram-me em um estado total de indefensão legal.”

Labayru carrega uma narrativa de luta e superação. Em 1976, com apenas 19 anos e grávida de cinco meses, foi sequestrada por um grupo de tarefas da ditadura argentina e enviada à Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA), um dos maiores centros clandestinos de detenção da época. Durante o cativeiro, passou por torturas e presenciou a barbaridade do regime militar. Sua criança nasceu em meio a essa brutalidade, e sua história foi posteriormente documentada em seu livro, que se tornou um fenômeno ao abordar o passado sombrio do país.

Antes de sua recente negativa, Labayru havia visitado os Estados Unidos várias vezes, sem ter enfrentado problemas nas duas últimas ocasiões, ocorridas em 2022 e 2024. Agora, ela questiona: “O que mudou desde então?” A resposta parece residir em seu livro, que retrata não só seu passado de guerrilheira, mas também sua reconstrução, após anos de exílio na Espanha.

Enquanto aguardava o retorno do marido, que seguiu para Illinois, Labayru expressou seu descontentamento com a situação. “Se me negam a entrada pelos meus escritos, é porque não leram. Nele, não há nada que sugira que sou perigosa ou ativista. Estou quase com 70 anos e minha vida é outra agora”, defendeu. Como medida de precaução, os advogados amigos se mobilizam para obter respostas junto às autoridades americanas, mas até o momento sem sucesso.

A companhia aérea Volaris confirmou que recebeu uma ordem da Alfândega e Proteção de Fronteira dos Estados Unidos para negar o embarque de Labayru, mas não ofereceu detalhes sobre o caso. O consulado da Espanha em Ciudad de México recomendou que ela buscasse esclarecimentos no consulado americano, indicando que os motivos comuns para rejeição de entrada incluem viagens recentes a Cuba ou sobrenomes associados a indivíduos com acesso negado. Labayru desmentiu ambas as situações, apontando para uma clara ação de perseguição política.

O episódio de Silvia Labayru desperta discussões a respeito de liberdade de expressão e direitos humanos, revelando os impactos persistentes da história e as repercussões que sobreviventes de regimes autoritários ainda enfrentam em contextos internacionais.

Tags: Silvia Labayru, ditadura argentina, negação de entrada EUA, Política Internacional, Direitos Humanos Fonte: elpais.com