Taty Almeida, ícone dos direitos humanos, recebe honrarias aos 95 anos
Aos 95 anos, Taty Almeida, uma das figuras mais emblemáticas do movimento dos direitos humanos na Argentina, foi homenageada com o título de doutora ‘honoris causa’ pela Universidade de Buenos Aires (UBA). A cerimônia, que ocorreu nesta sexta-feira, foi um evento repleto de emoção, com a presença de amigos, familiares e defensores dos direitos humanos que se uniram para celebrar sua trajetória.
Durante sua fala, Taty lembrou a luta das Madres de Plaza de Mayo, um grupo de mães que há cinco décadas denuncia as violações de direitos humanos e busca justiça por seus filhos desaparecidos durante a ditadura militar que afetou o país entre 1976 e 1983. "Quedamos tres Madres, nada más, y dos Abuelas", afirmou, destacando que apenas três mães e duas avós permanecem na luta.
O sentimento de resistência estava presente nas palavras de Taty: "A pesar de los bastones y las sillas de ruedas, las locas seguimos de pie". Assim, ela reafirmou a determinação de continuar lutando por memória, verdade e justiça. O público respondeu com entusiasmo, gritando e aplaudindo, em um ambiente que exaltava a coragem e o compromisso daquelas mulheres que não se deixaram silenciar.
Taty Almeida nasceu em 1930 em Buenos Aires e se formou como professora. Sua vida mudou drasticamente em 17 de junho de 1975, quando seu filho, Alejandro Almeida, foi sequestrado pela organização paramilitar Triple A. Desde então, Taty dedica sua vida à busca de respostas e justiça pela falta de seu filho, que tinha apenas 20 anos na época.
No início da cerimônia, a vice-decanato de Filosofia e Letras, Graciela Morgade, destacou a importância de Taty Almeida na formação de novas gerações. "Taty nos oferece a classe magistral mais profunda que esta facultad presenció", ressaltou, mencionando a filosofia da esperança que ela representa. A sala estava decorada com retratos de universitários que foram assassinados ou desaparecidos durante o período da ditadura, simbolizando a luta contínua por justiça.
O decano da UBA, Ricardo Manetti, também fez questão de reconhecer o impacto que Taty e as Madres de Plaza de Mayo tiveram sobre a sociedade. Ele salientou como elas transformaram a dor em ação política, defendendo a memória e a verdade, incentivando os presentes a não negociar a ética.
O reitor da universidade, Ricardo Gelpi, expressou "um grande orgulho" ao homenagear Taty. Ele apontou para os tempos conturbados atuais, mencionando a necessidade de responder aos discursos de ódio com amor e empatia, na linha do que as Madres e Abuelas ensinam. A cerimônia foi marcada por manifestações e protestos contra cortes de orçamento na educação, ressaltando a crítica situação que o sistema educacional argentino enfrenta sob o governo atual.
Um vídeo foi exibido, celebrando a história das Madres de Plaza de Mayo, enquanto um saudação especial do músico argentino León Gieco foi também agradecida por Taty. Os discursos emocionantes culminaram com a fala de Taty Almeida, que agradeceu a todos pela homenagem, lembrando que em sua luta estão todas as Madres, tanto as que ainda vivem quanto aquelas que já partiram.
Em sua poderosa mensagem, Taty enfatizou a importância da militância e do compromisso social, afirmando: "A luta não termina, a luta continua". Finalizou deixando uma importante lição: "A única luta que se perde é a que se abandona". Sua determinação e insistência em buscar justiça se tornaram um legado inesquecível, que continua a inspirar novas gerações a lutar por um mundo melhor.