Desafios dos Imigrantes Irregulares no Chile
A situação dos imigrantes irregulares no Chile, especialmente entre os venezuelanos, tem gerado preocupação e debate. O presidente chileno, José Antonio Kast, promove a saída voluntária de estrangeiros em situação irregular, mas muitos enfrentam barreiras econômicas e burocráticas que dificultam essa opção.
Um exemplo é Mariel, uma venezuelana de 34 anos que entrou no Chile em 2021 sem documentação legal. Ela expressa seu desejo de retornar ao seu país, onde deixou seu filho de 12 anos sob os cuidados de sua mãe. "Todos os dias quero voltar a Venezuela. Estar sem papéis aqui é como remar e sempre estar no mesmo lugar", relatou Mariel. O receio de represálias a impede de se identificar plenamente, pois trabalha informalmente e teme perder o emprego.
Apesar do desejo de Mariel de deixar o país, essa visão não é compartilhada por todos os 336 mil migrantes irregulares no Chile. Muitos pedem uma regularização massiva, uma medida que não ocorre desde 2021 e que o governo chileno não tem previsão de implementar nos próximos quatro anos. A situação é agravada pela crise humanitária enfrentada pelos venezuelanos, onde a maioria deles, cerca de 75%, luta para obter documentos oficiais, enquanto uma pesquisa da ACNUR revelou que apenas 35% dos venezuelanos na América Latina pretendem retornar ao seu país.
Durante sua campanha, Kast prometeu expulsar imigrantes sem documentos e, após assumir, convidou-os a deixarem o país. No entanto, cerca de 2.180 venezuelanos irregulares optaram pela saída voluntária desde sua eleição, um número baixo em comparação com os 24.525 que deixaram o Chile entre 2022 e 2025.
A atual administração considera oferecer facilidades para a saída voluntária, mas isso levanta preocupações sobre possíveis incentivos a rotas irregulares, que podem alimentar o tráfico de pessoas. Juan Pablo Ramaciotti, do Centro de Políticas Migratórias, alerta: “Essa não é uma boa alternativa para os migrantes, que enfrentam riscos ao longo do caminho e podem acabar pagando a grupos criminosos”.
Para muitos, os custos de passagem e multas por ingresso irregular são barreiras significativas. Braulio Jatar, jornalista e advogado, cita o caso de dois irmãos que desejavam retornar, mas um deles não conseguiu a permissão legal para sair. Essa falta de regularização cria um ciclo de incerteza e insegurança.
Giovanni Soto, um imigrante de 51 anos que deseja deixar o Chile em busca de melhores condições de vida no Brasil, também tem enfrentado dificuldades. Em uma tentativa frustrada de voar para o Brasil, um agente da Polícia de Investigação o impediu, alegando a falta de documentos adequados. "Eu só queria ir a um país que tem acordos com o meu, mas não consegui sair", lamentou.
Outro caso é o de Rairi Parra, que quer retornar a seus filhos em Venezuela, mas hesita em se afastar de seu filho maior, que já se regularizou no Chile. As barreiras à migração legal estão criando dilemas emocionais e práticos, dificultando as decisões desses cidadãos.
Com as relações diplomáticas entre Venezuela e Chile rompidas, a busca por soluções legais para a imigração irregular se torne ainda mais complexa. Enquanto isso, os imigrantes continuam a enfrentar dificuldades, aguardando um futuro incerto tanto no Chile quanto em seu país natal.