América Latina enfrenta crise energética com subsídios e cortes de impostos
A alta dos preços dos combustíveis está atingindo a inflação e forçando os governos da América Latina a intervir no mercado de hidrocarbonetos. No cenário atual, marcado por conflitos internacionais que afetam a economia global, os países da região adotam diversas estratégias para minimizar os impactos da crise energética.
México: cortes de impostos e acordos com os postos de gasolina
A inflação no México, embora tenha desacelerado em abril, permanece elevada em 4,53% ao ano, se comparada a 3,96% no mesmo período do ano anterior. O governo, liderado por Claudia Sheinbaum, está adotando medidas para aliviar a pressão sobre os preços, como a redução no Imposto Especial sobre Produção e Serviços (IEPS) dos combustíveis e um acordo com os proprietários de postos de gasolina para manter os preços fixos, embora essa estratégia tenha afetado as margens de lucro dos empresários. As finanças públicas estão, portanto, sob pressão, com uma perda de arrecadação de 5 bilhões de pesos por semana.
Os aumentos de preços dos alimentos básicos, como o tomate (24,37%) e o chile serrano (21,94%), têm impacto significativo na cesta básica da população.
Brasil: subsídios ao diesel e gás com pacote de 1,9 bilhão de dólares
Em resposta aos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a economia interna, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva implementou uma série de medidas para mitigar os impactos da inflação. Dentre elas, está a concessão de subsídios e cortes de impostos ao diesel, um combustível crucial para o agronegócio e transporte. Somente em abril, o governo anunciou um pacote de 9,5 bilhões de reais para estancar os efeitos da alta nos preços.
Essas medidas também incluem a eliminação de impostos sobre biodiesel e subsídios ao gás de cozinha importado, além do aumento dos créditos para as companhias aéreas. O Brasil planeja ainda aumentar a proporção de metanol misturado à gasolina para reduzir a dependência de combustíveis importados.
Argentina: um sacrifício à ortodoxia econômica
O presidente argentino Javier Milei enfrenta um momento crítico, com a inflação chegando a 32,6% em termos anuais e uma alta dos combustíveis que agrava o descontentamento social. Para conter os preços, a petrolera estatal YPF decidiu congelar os preços dos combustíveis por 45 dias, embora esta decisão contrarie os princípios econômicos liberais defendidos pelo governo.
Além disso, as províncias produtoras de petróleo se beneficiam enquanto outras, mais dependentes de combustíveis para a produção agropecuária e industrial, enfrentam dificuldades. A situação é complexa e com efeitos variados em diferentes regiões do país.
Colômbia: retorno dos subsídios com impacto limitado
Em um contexto de inflação moderada de 5,56% em março, o governo de Gustavo Petro decidiu reverter a redução do preço dos combustíveis, após perceber um impacto político e econômico limitado dessa política. O país, que apenas importa parte da gasolina que consome, tenta equilibrar a necessidade de subsídios sem comprometer o orçamento fiscal.
Chile: alta histórica nos preços dos combustíveis
O governo de José Antonio Kast decidiu não intervir no aumento global dos preços do petróleo, levando os chilenos a arcar sozinhos com essas despesas. Apesar de alguns mecanismos de apoio, como subsídios ao transporte público e apoio financeiro a taxistas, a subida nos preços dos combustíveis está gerando impacto nas finanças dos lares. A inflação mensal já alcançou 1% e a popularidade do governo sofreu queda significativa em virtude dessas medidas.
A situação na América Latina evidencia a complexidade das respostas aos desafios impostos pela crise energética atual. As estratégias adotadas variam amplamente e refletem a diversidade econômica e social da região.
Eyanir Chinea (México); Naiara Galarraga Gortázar (São Paulo); Rocío Montes (Santiago do Chile); Javier Lorca (Buenos Aires); Juan Esteban Lewin (Bogotá)