Moradores de Badia del Vallès lutam contra a permanência de VPO
Mais de 1.200 residências de interesse social da localidade de Badia del Vallès, na província de Barcelona, enfrentam a proibição de serem liberadas para o mercado imobiliário. Isso ocorre pouco antes de um prazo importante, após terem estado em uma zona de alta demanda por habitação.
Os cidadãos de Badia del Vallès se sentem afetados por uma nova legislação que os impede de liberalizar seus imóveis após 50 anos. A decisão foi um choque, pois muitos esperavam que suas casas pudessem ser finalmente comercializadas. Este caso resume a incessante luta por justiça habitacional, com a comunidade local se mobilizando contra o que consideram um tratamento desigual.
Kike Rincon e Lluís Pellicer, jornalistas da região, destacam que há 50 anos a cidade foi projetada como uma área exclusivamente para habitação de proteção oficial (VPO) para resolver uma crise habitacional que afligia Barcelona. A cidade está situada a cerca de 12 quilômetros da capital e celebra agora meio século de história marcada pela luta por melhores condições de vida.
A legislação que impediu a liberalização das VPO ocorreu um mês antes da data limite prevista, definida para 6 de fevereiro de 2026. A Generalitat da Catalunha decidiu manter a proteção das residências devido à pressão da crise habitacional. Essa decisão levou os moradores a protestar, pois muitos se sentem injustamente tratados.
Na cidade, a Praça da Prefeitura estava repleta no dia de Sant Jordi. Jovens trocavam livros, estudantes vendiam rosas e um grupo de moradores se divertia dançando danças típicas. Caminhando para longe desse movimento, José Montero, um residente de longa data, reflete sobre os desafios enfrentados ao longo dos anos. Ele e sua esposa, Rafaela Expósito, não desejam deixar sua cidade. No entanto, ele questiona a razão pela qual alguns conseguem se desvincular da proteção oficial enquanto outros não. "Cumpra com o contrato que assinei, e agora, o que acontece?" lamenta Montero.
A cidade de Badia é composta por cerca de 5.400 residências em 190 blocos, todas com características amplas e luminosas, embora algumas ainda sofram com problemas estruturais. Em 2023, cerca de 75% das residências foram liberadas para o mercado. O restante deveria seguir esse caminho em 2026. Contudo, com a nova legislação, a intenção era evitar a especulação e a disparada dos preços que já se observava.
Amalia Frutos, uma residente, expressa sua indignação: "Não faz sentido que meu apartamento permaneça como VPO e o de meu pai, logo ali, não." Esse sentimento de divisão entre cidadãos de primeira e segunda classe permeia as preocupações da comunidade.
Badia é uma cidade peculiar em sua configuração arquitetônica, exibindo ruas que imitam a forma da Península Ibérica. As casas afetadas pela nova lei estão localizadas nas áreas mais valorizadas, e muitos moradores, como Genaro Álvarez e Susana Duarte, se opõem ao rótulo de especuladores imposto a eles. Álvarez, que se estabeleceu na cidade nos anos 70 e passou por um complexo processo de compra da casa, testemunhou as dificuldades de muitos residentes em tempos de crise.
“Estou cansado de ser visto como especulador”, afirma Álvarez, lembrando de sua experiência com a crise financeira que atingiu a localidade. Ele se envolveu em movimentos como a Plataforma de Afectados por la Hipoteca, tentando lutar pelos direitos de moradia de seus vizinhos.
Os moradores, decididos a continuar sua luta, já têm se articulado com grupos políticos para buscar soluções. Sabem que o governo central determinou que somente comunidades com VPO permanentemente classificadas poderiam receber fundos do novo plano habitacional. A posição não é questionada, mas a aplicação retroativa da medida é vista como uma injustiça.
O prefeito local, Josep Martínez Valencia, reconhece a contradição na situação e afirma que buscará promover a igualdade entre todos os residentes. O desafio se destaca em uma cidade onde, em uma mesma rua, um bloco pode estar no mercado livre enquanto outro ainda permanece sob proteção oficial.
Enquanto isso, os primeiros sinais de liberalização não mostraram uma escalada da especulação na cidade. No entanto, a ausência de uma solução clara continua a preocupar os moradores. Muitos esperam que o debate sobre o direito à habitação e a proteção do público contra a especulação imobiliária tome um novo rumo, garantindo que as decisões tomadas sirvam, de fato, aos interesses da comunidade e não apenas aos interesses econômicos.
Com a situação ainda incerta, o futuro habitacional em Badia del Vallès segue sendo um tema de intenso debate entre moradores, autoridades e especialistas em habitação, definindo as bases para a luta contínua por direitos e justiça habitacional.