A ativista iraniana Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, está enfrentando uma grave crise de saúde enquanto cumpre pena em uma prisão no Irã. Desde que sofreu um ataque cardíaco em março, Mohammadi não tem recebido o tratamento médico adequado, o que a colocou em risco iminente de morte. De acordo com um comunicado da Fundação Narges, divulgado na quarta-feira, 29 de abril de 2026, a ativista já perdeu mais de 19 quilos e sofre de dores constantes no peito. Advogados que visitaram Mohammadi relataram que seu estado de saúde é crítico, com pressão arterial em níveis perigosos e sem resposta aos medicamentos. Apesar das recomendações médicas para que ela receba atendimento cardíaco especializado, as autoridades iranianas negaram os pedidos para suspender temporariamente sua pena, o que permitiria o acesso a esse tratamento. Essa recusa é alarmante, especialmente considerando o histórico de problemas de saúde que Mohammadi já enfrentou em prisões anteriores. "Todos os dias acordo com medo de receber a notícia da morte dela. Palavras não conseguem descrever a devastação que nossa família está sentindo. Isso não é mais apenas prisão, é uma morte em câmera lenta", disse Hamidreza Mohammadi, irmão da ativista, expressando a angústia da família diante da situação. A preocupação da família é compreensível, dado que a saúde de Narges se deteriora rapidamente sem a assistência médica necessária. Narges Mohammadi, de 53 anos, está presa desde dezembro de 2025, após criticar o governo iraniano. Sua detenção mais recente é apenas uma das várias prisões que ela enfrentou ao longo de sua vida, marcada por um ativismo incansável em prol dos direitos das mulheres e contra políticas repressivas do regime iraniano, como o uso obrigatório do véu e a pena de morte. Mohammadi tem sido uma voz proeminente na luta pelos direitos das mulheres no Irã, um país onde as liberdades individuais são frequentemente suprimidas. Em fevereiro de 2026, Mohammadi foi condenada a sete anos e meio de prisão por supostamente atentar contra a segurança nacional e fazer propaganda contra o regime. Na mesma ocasião, foi transferida sem aviso prévio para a penitenciária de Zanjan, no norte do Irã, onde perdeu todo contato com a família, situação que se agravou com o início da guerra no Oriente Médio. Essa transferência abrupta e a falta de comunicação com seus entes queridos são aspectos que intensificam a angústia e a vulnerabilidade da ativista. Os apoiadores de Mohammadi afirmam que ela já havia enfrentado problemas cardíacos em prisões anteriores e que, em 2022, passou por uma cirurgia de emergência. A falta de cuidados médicos adequados e a recusa das autoridades em permitir tratamento especializado levantam preocupações sobre a possibilidade de um desfecho trágico para a ativista. A situação de Narges Mohammadi é um reflexo das condições desumanas enfrentadas por muitos prisioneiros políticos no Irã, onde o regime frequentemente ignora as necessidades de saúde de seus opositores. A comunidade internacional tem se mobilizado em defesa de Mohammadi, pedindo sua libertação e o respeito aos direitos humanos no país. Organizações de direitos humanos e ativistas têm pressionado as autoridades iranianas a garantir que ela receba o tratamento médico necessário. O caso de Mohammadi destaca a luta contínua por direitos humanos e liberdade de expressão no Irã, onde ativistas enfrentam severas represálias por suas opiniões e ações. A pressão internacional pode ser crucial para garantir que a ativista receba o tratamento médico necessário e, eventualmente, a liberdade que tanto merece. A situação de Narges Mohammadi não é apenas uma questão de saúde, mas um símbolo da luta por justiça e dignidade em um regime que frequentemente silencia vozes dissidentes.
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Nobel da Paz perde 19 kg na prisão e tem tratamento negado após ataque cardíaco