O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, fez uma declaração contundente nesta quinta-feira, 30, afirmando que o país não abrirá mão de suas tecnologias nucleares e de mísseis, assim como do estratégico Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o comércio global de energia. Essa declaração ocorre em um momento crítico, quando o governo iraniano está prestes a apresentar um novo plano para encerrar a guerra, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter rejeitado uma proposta de paz transmitida por Teerã a mediadores. Khamenei, em uma mensagem escrita, destacou que "hoje, dois meses após a maior mobilização militar e agressão dos assediadores do mundo na região, e a vergonhosa derrota dos planos dos EUA, um novo capítulo se desenrola no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz".
Ele também prometeu que o Irã protegerá suas capacidades tecnológicas modernas – da nanotecnologia à biotecnologia, passando pela energia nuclear e de mísseis – como se fossem sua capital nacional, e as protegerá como protege suas fronteiras marítimas, terrestres e aéreas. Logo após as declarações de Khamenei, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que qualquer tentativa de impor um bloqueio marítimo "está fadada ao fracasso". Desde meados de abril, os Estados Unidos têm bloqueado os portos iranianos em resposta ao fechamento de Ormuz, uma ação do Irã como represália aos ataques israelenses e americanos que desencadearam a guerra em 28 de fevereiro.
Apesar de um cessar-fogo em vigor desde 8 de abril, as negociações entre os dois países estão estagnadas, e o tráfego marítimo pelo estreito permanece em níveis mínimos, afetando uma rota que antes era responsável por um quinto dos hidrocarbonetos consumidos globalmente. Em uma entrevista ao portal de notícias Axios, Trump deixou claro que a Marinha americana manterá seu bloqueio naval aos portos iranianos, a menos que Teerã aceite um acordo que atenda às exigências de Washington sobre o programa nuclear. A rejeição de Trump à proposta iraniana ocorreu após semanas de intensa movimentação diplomática.
Na segunda-feira, 27, o Irã havia apresentado, por meio de mediadores, uma proposta para encerrar as hostilidades e restabelecer o tráfego no Estreito de Ormuz, oferecendo reabrir a rota imediatamente, desde que os Estados Unidos suspendessem seu bloqueio naval. A República Islâmica já havia sinalizado anteriormente que só permitiria o retorno do trânsito de navios comerciais pela rota, que normalmente transporta 20% do petróleo consumido no planeta, após o fim definitivo da guerra com os Estados Unidos. O vice-ministro da Defesa iraniano, Reza Talaei-Nik, afirmou que a reabertura do estreito dependerá de garantias de segurança para o país.
O impasse atual nas negociações tem abalado os mercados. O barril de Brent para entrega em junho chegou a superar os 126 dólares, seu nível mais alto desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022, mas caiu para 113 dólares, possivelmente devido à expiração do contrato e à expectativa de que a situação possa melhorar para o próximo vencimento em julho. Nesta quinta-feira, Trump deve receber um relatório do almirante Brad Cooper, comandante americano para o Oriente Médio, sobre possíveis novas operações militares contra o Irã.
O presidente enfrenta pressão crescente para pôr fim à guerra, que se tornou impopular até mesmo entre sua base de apoio, especialmente devido ao impacto do conflito sobre a inflação. Segundo o Pentágono, a guerra já custou aos Estados Unidos cerca de 25 bilhões de dólares, aproximadamente 125 bilhões de reais. As declarações de Khamenei e a postura firme do Irã em relação ao seu programa nuclear e ao Estreito de Ormuz indicam que a tensão na região deve continuar, enquanto as negociações para um acordo de paz permanecem estagnadas.
O futuro do comércio global de energia e a estabilidade no Golfo Pérsico dependem agora de como as potências envolvidas irão reagir a essa nova fase de confrontos e negociações.