Israel intercepta flotilha para Gaza e detém 211 ativistas, dizem organizadores

Por Autor Redação TNRedação TN

Israel intercepta flotilha para Gaza e detém 211 ativistas, dizem organizadores

Na última quinta-feira, 30 de abril de 2026, forças de Israel interceptaram, em águas internacionais, perto da costa da Grécia, uma flotilha composta por mais de 20 embarcações que se dirigiam à Faixa de Gaza com o objetivo de fornecer ajuda humanitária. Segundo informações de autoridades e organizadores do comboio, ao menos 211 ativistas foram detidos durante a operação. Hélène Coron, representante da seção francesa da Global Sumud, uma organização que visa romper o bloqueio imposto por Israel ao território palestino, confirmou o número de detidos.

Inicialmente, o Ministério das Relações Exteriores de Israel havia indicado que o total de detidos era de 175. A operação de interceptação ocorreu a uma distância considerada "sem precedentes" de Israel, nas proximidades da Ilha de Creta. Durante a abordagem, agentes israelenses apontaram armas de assalto para os tripulantes e ordenaram que se deslocassem para a parte dianteira das embarcações.

Coron, que participou da operação por videoconferência, relatou que onze dos detidos eram de nacionalidade francesa, mas não conseguiu especificar a nacionalidade dos demais ativistas. O governo italiano também se manifestou, pedindo a libertação de seus cidadãos que estavam a bordo das embarcações. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores de Israel caracterizou a flotilha como uma "flotilha de propaganda" e alegou ter encontrado "preservativos e drogas" a bordo.

Essa afirmação foi contestada pelo porta-voz do grupo Global Sumud, que a classificou como "desinformação". Este não é o primeiro incidente desse tipo. Em 2025, dois comboios internacionais, que incluíam ativistas como Greta Thunberg e figuras de países latino-americanos, foram interceptados pela Marinha israelense em águas próximas ao Egito e à Gaza.

A abordagem dessas embarcações foi considerada ilegal por organizadores e pela Anistia Internacional, resultando em condenações em nível internacional. Os membros da tripulação foram presos e expulsos por Israel. As autoridades israelenses controlam todos os pontos de entrada em Gaza e têm sido acusadas pela ONU e por ONGs de impedir a entrada de bens no território, o que tem gerado uma grave escassez de recursos desde o início da guerra na região, em outubro de 2023.

Além do bloqueio, um relatório recente da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou que Israel tem utilizado a privação de água como uma arma contra a população palestina. Essa prática ocorre em meio à destruição de instalações de saúde, casas e à morte de civis, além de deslocamentos forçados em massa. A água é considerada um direito humano básico, e a negação desse direito é uma violação do Direito Internacional Humanitário e das convenções de Genebra, configurando um crime de guerra, segundo especialistas da ONU.

Claire San Filippo, coordenadora de emergência da MSF, alertou que as autoridades israelenses estão cientes de que sem água a vida se torna insustentável, mas mesmo assim têm destruído deliberadamente a infraestrutura hídrica em Gaza, enquanto bloqueiam a entrada de suprimentos relacionados ao abastecimento de água. Recentemente, as Nações Unidas e a União Europeia estimaram que serão necessários US$ 71,4 bilhões para reconstruir a devastada Faixa de Gaza na próxima década. Esse valor considera danos materiais, perdas econômicas e as necessidades de recuperação após dois anos de conflito entre Israel e Hamas.

Nos primeiros 18 meses, a previsão é de que sejam necessários US$ 26,3 bilhões para restabelecer serviços essenciais e reconstruir infraestruturas básicas. O relatório também aponta que mais de 371 mil residências foram danificadas ou destruídas, quase todas as escolas palestinas estão fora de funcionamento e mais da metade dos hospitais não está operando. A economia da região sofreu uma retração de 84%, e cerca de 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas, com mais de 60% da população perdendo suas casas, o que agrava ainda mais a crise humanitária na área.

Desde o início do conflito, ao menos 72. 000 palestinos morreram e outros 172. 000 ficaram feridos, de acordo com fontes médicas citadas pelas Nações Unidas.

Tags: Israel, Gaza, flotilha, ativistas, Ajuda Humanitária Fonte: veja.abril.com.br