Quatro brasileiros estão entre os ativistas capturados por Israel durante uma flotilha humanitária que tinha como destino a Faixa de Gaza. O incidente ocorreu em águas internacionais próximas à costa da Grécia, onde o grupo, composto por pelo menos 211 ativistas de diversas nacionalidades, foi interceptado por forças israelenses. A flotilha, que contava com mais de 20 embarcações, tinha como objetivo levar ajuda humanitária ao território palestino, que enfrenta uma grave crise humanitária.
Entre os brasileiros detidos está Thiago Ávila, um ativista que já havia sido preso em duas ocasiões anteriores por forças israelenses em ações semelhantes. Em uma dessas prisões, familiares relataram que ele sofreu maus-tratos, incluindo ameaças e isolamento. Na atual viagem, Ávila fazia parte do comitê diretor internacional da flotilha.
Os outros brasileiros detidos são Amanda Coelho Marzall, conhecida como Mandi Coelho, militante do PSTU e pré-candidata a deputada federal por São Paulo; Leandro Lanfredi de Andrade, petroleiro da Petrobras Transporte e diretor do Sindipetro-RJ; e Thainara Rogério. Os organizadores da flotilha foram informados de que os brasileiros estavam sendo transportados em um navio da Marinha israelense para o porto de Ashdod, no sul de Israel, embora o governo israelense tenha afirmado que eles seriam levados à Grécia. Hélène Coron, representante da seção francesa da Global Sumud, que visa romper o bloqueio imposto por Israel ao território palestino, confirmou que ao menos 211 ativistas foram detidos.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel inicialmente indicou que o número de detidos era de 175. Durante a abordagem, agentes israelenses teriam apontado armas de assalto para os tripulantes e ordenado que se deslocassem para a parte dianteira das embarcações. Coron descreveu a operação de interceptação como ocorrendo a uma distância “sem precedentes” de Israel, perto da Ilha de Creta.
O Ministério das Relações Exteriores israelense, por sua vez, se referiu à flotilha como uma “flotilha de propaganda” e alegou ter encontrado “preservativos e drogas” a bordo, uma afirmação contestada pelo porta-voz do grupo, que a classificou como desinformação. Esse não é o primeiro incidente envolvendo ativistas internacionais e a Marinha israelense. Dois comboios anteriores, que incluíam figuras como Greta Thunberg e outros ativistas latino-americanos, foram interceptados em 2025.
A abordagem dos barcos por parte das forças israelenses foi considerada ilegal pelos organizadores e pela Anistia Internacional, resultando em condenações em nível internacional. As autoridades israelenses controlam todos os pontos de entrada em Gaza e foram acusadas pela ONU e ONGs de impedir a entrada de bens no território, resultando em uma grave escassez de recursos desde o início da guerra em outubro de 2023. Além do bloqueio, um relatório recente da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusou as autoridades israelenses de utilizarem a privação deliberada de água como arma contra a população palestina.
Essa prática ocorre em meio à destruição de instalações de saúde, casas e à morte de civis, além de deslocamentos forçados em massa. A água é considerada um direito humano básico, e sua negação viola o Direito Internacional Humanitário e as convenções de Genebra, configurando um crime de guerra, segundo especialistas da ONU. Recentemente, as Nações Unidas e a União Europeia estimaram que serão necessários US$ 71,4 bilhões para a reconstrução da devastada Faixa de Gaza na próxima década.
O levantamento considera os danos materiais, as perdas econômicas e as necessidades de recuperação e reconstrução após dois anos de guerra entre Israel e Hamas. Nos primeiros 18 meses, a previsão é de que sejam necessários US$ 26,3 bilhões para restabelecer serviços essenciais e reconstruir infraestruturas básicas. O relatório destaca que mais de 371 mil residências foram danificadas ou destruídas, e a maioria das escolas palestinas está fora de funcionamento.
A economia do território sofreu uma retração de 84%, e cerca de 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas, com mais de 60% da população perdendo suas casas. Desde o início do conflito, ao menos 72. 000 palestinos morreram e outros 172.
000 ficaram feridos, conforme dados das Nações Unidas.