Via Paquistão, Irã apresenta aos EUA nova proposta de diálogo de paz

Por Autor Redação TNRedação TN

Via Paquistão, Irã apresenta aos EUA nova proposta de diálogo de paz

O Irã apresentou uma nova proposta para conversas com os Estados Unidos através do mediador Paquistão, conforme noticiado pela imprensa estatal iraniana nesta sexta-feira, dia 1º de maio de 2026. A agência oficial de notícias IRNA informou que a República Islâmica do Irã entregou na noite de quinta-feira o texto de sua mais recente proposta de negociação ao Paquistão, que atua como mediador nas conversas com os EUA. No entanto, os detalhes sobre o conteúdo dessa proposta ainda não foram divulgados.

Especialistas acreditam que essa movimentação reflete uma estratégia calculada de Teerã para romper o impasse diplomático atual. Na última oferta, os líderes iranianos separaram as preocupações urgentes com segurança regional das questões de longo prazo, solicitando um acordo para a reabertura completa do Estreito de Ormuz, que é crucial para o tráfego de petróleo, e o levantamento do bloqueio naval da Marinha americana contra portos e navios iranianos. As tratativas sobre o programa nuclear do Irã foram deixadas para um momento posterior.

Essa proposta anterior foi rejeitada pelo presidente Donald Trump, que a descartou por não abordar o ponto central do conflito: a paralisação do enriquecimento de urânio no Irã e um compromisso de que o país nunca desenvolverá armas nucleares. O governo iraniano sugeriu que as discussões sobre o programa nuclear fossem adiadas para depois do desfecho da guerra, em um horizonte indefinido. Em uma entrevista ao portal de notícias Axios, Trump deixou claro que a Marinha dos EUA manterá seu bloqueio naval aos portos iranianos, que está em vigor há mais de duas semanas, a menos que um acordo que atenda às exigências de Washington sobre o programa nuclear seja alcançado.

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, foi fechado pelo Irã em retaliação à ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos, que começou em 28 de fevereiro. A Marinha americana implementou seu próprio bloqueio naval na região em 13 de abril, com o objetivo de enfraquecer o regime iraniano por meio do cerco à sua exportação de petróleo, que é um pilar fundamental da economia local. A pressão sobre o Irã aumentou com a extensão de um cessar-fogo, que pausou as hostilidades abertas entre os países desde 7 de abril, por tempo indeterminado.

Apesar disso, Trump continuou a fazer ameaças ao regime iraniano. Recentemente, ele publicou uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece armado com um fuzil, usando um terno e óculos estilo aviador, em frente a um cenário de explosões no Oriente Médio, com a legenda: “Chega de ser bonzinho”. Durante uma reunião com empresários do setor petrolífero, Trump mencionou a possibilidade de prolongar o bloqueio naval dos portos iranianos por “vários meses”, se necessário, segundo um funcionário da Casa Branca.

O presidente tem, teoricamente, até esta sexta-feira para solicitar ao Congresso a autorização para continuar a guerra. No entanto, seu governo indicou que pode ignorar essa obrigação. A Constituição dos Estados Unidos confere ao Congresso a prerrogativa de declarar guerra, mas uma lei de 1973 permite ao presidente iniciar uma intervenção militar limitada em resposta a uma situação de emergência, desde que solicite autorização ao Legislativo para mobilizar tropas por mais de 60 dias.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, argumentou que, devido ao cessar-fogo, “o prazo de 60 dias fica suspenso”. Essa nova proposta do Irã, mediada pelo Paquistão, surge em um momento crítico nas relações entre Teerã e Washington, com a expectativa de que as negociações possam levar a um desfecho pacífico para a crise atual. A comunidade internacional observa atentamente os desdobramentos dessa situação, que pode ter implicações significativas para a segurança regional e o mercado global de petróleo.

Tags: Irã, EUA, Paquistão, diálogo de paz, Estreito de Ormuz, DonaldTrump Fonte: veja.abril.com.br