Em abril de 2026, a Rússia disparou um número recorde de 6. 583 drones contra a Ucrânia, conforme análise da agência de notícias AFP, utilizando dados da Força Aérea de Kiev. Este total representa um aumento de 2% em relação ao mês anterior, que também havia registrado um recorde.
As forças ucranianas, por sua vez, conseguiram abater 88% de todos os drones e mísseis disparados durante esses ataques. A intensificação dos ataques aéreos coincide com uma pausa nas negociações mediadas pelos Estados Unidos para o fim do conflito, além de um aumento significativo nos ataques diurnos por parte de Moscou. Historicamente, a Rússia realizava esses disparos quase exclusivamente durante a madrugada, mas a nova estratégia de ataques à luz do dia visa causar mais danos à população civil e paralisar a economia ucraniana.
Essa mudança tática é vista como uma tentativa de aumentar o impacto psicológico sobre a população, criando um clima de insegurança e medo. Especialistas apontam que essa mudança tática pode ser uma forma de infligir terror à população. O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), think tank baseado em Washington, afirmou que a combinação de grandes ataques noturnos com ofensivas diurnas provavelmente resultará em mais danos à população civil.
A análise sugere que a Rússia pode estar mirando civis e infraestrutura civil, como áreas públicas e espaços abertos, especialmente com a chegada do clima mais quente, quando mais ucranianos estão ao ar livre. Essa estratégia de ataque não apenas visa causar danos físicos, mas também busca desestabilizar a vida cotidiana e a moral da população. Pavlo Palisa, vice-chefe de gabinete do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, comentou que os ataques diurnos são uma nova tentativa de aterrorizar os civis, agora que o inverno chegou ao fim.
Ele também destacou um componente econômico, afirmando que ataques massivos durante o expediente têm o potencial de paralisar significativamente os negócios no país. Essa abordagem não só afeta a segurança, mas também a economia, criando um ambiente de incerteza que pode desestimular investimentos e atividades comerciais. Moscou, no entanto, nega que seus ataques tenham como alvo civis, alegando que as operações visam instalações militares e de energia ligadas ao setor militar ucraniano.
Essa negação é frequentemente contestada por relatos de civis afetados pelos ataques, que incluem não apenas danos a propriedades, mas também perdas de vidas. A situação é alarmante, considerando que, segundo a Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia, pelo menos 15. 578 ucranianos morreram e 43.
352 ficaram feridos desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022. Muitos desses feridos e mortos são resultado de ataques com drones e mísseis contra prédios residenciais em todo o país. Contudo, a própria ONU considera que esses números podem estar subestimados, dada a dificuldade de acesso a algumas áreas e a natureza caótica do conflito.
A escalada dos ataques aéreos e a nova tática russa levantam preocupações sobre a segurança da população civil e a possibilidade de um agravamento da crise humanitária na Ucrânia. A comunidade internacional observa atentamente a situação, enquanto as negociações para um cessar-fogo permanecem estagnadas. A pressão sobre a Rússia para que cesse os ataques e busque uma solução pacífica para o conflito continua a aumentar, mas os resultados ainda são incertos.
A guerra na Ucrânia, que já dura mais de quatro anos, tem causado um impacto devastador na vida dos cidadãos ucranianos, e a intensificação dos ataques aéreos apenas agrava essa situação. A necessidade de um diálogo construtivo e de um compromisso genuíno para a paz é mais urgente do que nunca, à medida que o número de vítimas continua a crescer e a infraestrutura do país se deteriora.