Um surto de hantavírus está gerando preocupação internacional após a evacuação de três pessoas do navio de cruzeiro MV Hondius, que foram hospitalizadas na Europa. Os casos suspeitos da doença, que é transmitida por roedores, foram registrados em pelo menos cinco países, incluindo Países Baixos, África do Sul, Suíça, Singapura e Reino Unido. O MV Hondius, que transportava 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades, tem previsão de atracar em Tenerife, nas Ilhas Canárias, no próximo domingo (10).
Os pacientes evacuados estão em estado estável, segundo Ann Lindstrand, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Cabo Verde. Um dos pacientes foi internado em um centro médico universitário em Leiden, nos Países Baixos, enquanto outro foi levado ao hospital universitário de Düsseldorf, na Alemanha. Além disso, um homem permanece hospitalizado em Joanesburgo, na África do Sul, e outro em Zurique, na Suíça.
O Ministério da Saúde holandês informou que uma comissária de bordo da KLM foi hospitalizada em Amsterdã com sintomas compatíveis com a doença, após ter contato com uma passageira que morreu de hantavírus na África do Sul. Em Singapura, dois residentes que estiveram a bordo do navio foram isolados enquanto aguardam os resultados dos testes. Nos Estados Unidos, pessoas em pelo menos três estados estão sendo monitoradas por possível exposição ao vírus, embora nenhuma delas tenha apresentado sintomas até o momento.
O Reino Unido também orientou dois cidadãos britânicos que retornaram do cruzeiro a se isolarem. O surto de hantavírus no MV Hondius é particularmente alarmante, pois a OMS contabiliza três casos confirmados e cinco suspeitos, além de três mortes — uma com causa confirmada pela doença e as outras duas ainda sob investigação. Anais Lagand, especialista da OMS em febres hemorrágicas virais, destacou que o período de incubação do vírus, que varia de uma a seis semanas, sugere que a exposição ocorreu antes da partida do navio de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril.
"Claramente houve exposição antes do embarque", afirmou Lagand, acrescentando que a origem do surto está, sem dúvida, ligada a um roedor. O biólogo Raúl González Ittig, professor da Universidade Nacional de Córdoba, considera improvável que a infecção tenha ocorrido em Ushuaia, já que não há registros de hantavírus ou roedores infectados na região da Terra do Fogo. A Argentina, que já registrou 101 casos de hantavírus no período epidemiológico atual — quase o dobro do anterior —, anunciou o envio de especialistas a Ushuaia para investigar a possível presença do vírus na região.
Apesar do aumento nos casos, as autoridades e especialistas descartam a ocorrência de um surto no país. A cepa identificada nos casos confirmados é a Andes, a única variedade do hantavírus com potencial de transmissão entre pessoas, embora isso seja raro e normalmente associado a contato muito próximo e prolongado. O último surto conhecido da variante no país ocorreu em 2018, em Epuyén, no sul da Argentina, onde 15 pessoas morreram após contágio em uma festa.
As autoridades estão preocupadas com o fato de que a mulher holandesa que morreu tinha viajado com sintomas em um voo comercial de Santa Helena para Joanesburgo, que transportava 82 passageiros e seis tripulantes. A operadora Oceanwide Expeditions informou que 30 passageiros desembarcaram em Santa Helena em 24 de abril. Apesar da gravidade da situação, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a situação não se assemelha ao início da pandemia de Covid-19 e que o risco para o resto do mundo é baixo.
Após a chegada às Ilhas Canárias, todos os estrangeiros sem sintomas graves serão repatriados, enquanto os 14 espanhóis a bordo serão levados a um hospital militar em Madri, onde permanecerão em quarentena. O surto de hantavírus no MV Hondius levanta questões sobre a segurança em cruzeiros e a necessidade de monitoramento rigoroso de doenças transmissíveis em ambientes fechados. As autoridades de saúde continuam a investigar a situação e a fornecer orientações para a prevenção e controle da doença.