UE concorda em restaurar laços comerciais plenos com a Síria

Por Autor Redação TNRedação TN

EU agrees to restore full trade ties with Syria - Foto: Aljazeera

A União Europeia (UE) decidiu restaurar laços comerciais plenos com a Síria, encerrando a suspensão parcial de um acordo de cooperação que estava em vigor desde 2011. Essa decisão foi anunciada pelo Conselho Europeu em 11 de maio de 2026, em um movimento que visa apoiar a recuperação econômica da Síria após quase 14 anos de guerra civil. O Conselho afirmou que essa ação "envia um sinal político claro do compromisso da UE em reengajar-se com a Síria".

A restauração das relações comerciais é vista como um passo significativo para fortalecer os laços entre a UE e a Síria, especialmente após a remoção do ex-presidente sírio Bashar al-Assad em dezembro de 2024. O diálogo político de alto nível entre os ministros das Relações Exteriores da UE e o diplomata sírio Asaad al-Shaibani foi iniciado em Bruxelas, marcando um novo capítulo nas relações entre as partes. Essa interação é crucial, pois representa um esforço da UE para se reconectar com a Síria em um momento em que o país busca se reerguer após anos de conflito devastador.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, havia prometido em janeiro de 2026, após uma reunião com o presidente interino sírio Ahmed al-Sharaa, que a Europa faria "tudo o que puder" para apoiar a recuperação da Síria. A proposta para reativar completamente o acordo de cooperação foi apresentada no mês anterior, e o acordo aboliu tarifas sobre a importação da maioria dos produtos industriais da Síria. Essa medida é vista como uma tentativa de revitalizar a economia síria, que sofreu um colapso significativo devido à guerra e às sanções internacionais.

O comércio entre a Síria e a UE atingiu seu pico em 2010, com um volume superior a 7 bilhões de euros. No entanto, em 2023, as importações da UE da Síria caíram para apenas 103 milhões de euros, enquanto as exportações europeias para a Síria totalizaram 265 milhões de euros. Essa queda acentuada reflete os impactos devastadores da guerra civil e das sanções internacionais, que resultaram em uma economia fragilizada e em uma população que ainda enfrenta enormes desafios.

A questão do retorno dos refugiados sírios também é um tema sensível. A Alemanha, que abriga a maior comunidade síria da UE, com mais de um milhão de pessoas, está na linha de frente dessa discussão. O chanceler Friedrich Merz tem adotado políticas de migração mais rigorosas, buscando conter a ascensão da extrema direita.

Recentemente, ele provocou controvérsia ao declarar que esperava que 80% dos refugiados sírios retornassem ao país dentro de três anos, uma afirmação que ele posteriormente esclareceu como sendo um número apresentado pelo próprio presidente interino sírio. Essa questão é complexa, pois envolve não apenas a segurança e a estabilidade da Síria, mas também as condições de vida dos refugiados que buscam retornar. A decisão de restaurar os laços comerciais é vista por muitos como uma tentativa da UE de estabilizar a região e promover a reconstrução da Síria, que ainda enfrenta desafios significativos após anos de conflito.

A reabertura das relações comerciais pode facilitar a entrada de investimentos e ajuda humanitária, essenciais para a recuperação do país. No entanto, a decisão também levanta preocupações sobre a legitimidade do governo sírio e a situação dos direitos humanos no país. Críticos argumentam que a reabertura das relações comerciais pode ser interpretada como um reconhecimento tácito do regime de Assad, que foi amplamente condenado por suas ações durante a guerra civil.

A restauração das relações comerciais entre a UE e a Síria representa um momento crucial na política externa europeia, refletindo uma mudança nas prioridades da UE em relação à Síria e à região do Oriente Médio. Com a guerra civil ainda em mente, a UE parece disposta a explorar novas abordagens para lidar com a complexa situação síria, buscando um equilíbrio entre a ajuda humanitária e a pressão política sobre o regime de Assad. Essa nova fase nas relações pode ser um indicativo de que a UE está se preparando para um envolvimento mais ativo na reconstrução da Síria, ao mesmo tempo em que navega pelas delicadas questões políticas e sociais que ainda permeiam o país.

Tags: União Europeia, Síria, Relações Comerciais, Recuperação Econômica, Bashar al-Assad Fonte: www.aljazeera.com