Ex-primeiro-ministro do Catar: Netanyahu usa guerra com o Irã para remodelar o Oriente Médio

Por Autor Redação TNRedação TN

Former Qatar PM: Netanyahu using Iran war to reshape Middle East - Foto: Aljazeera

O ex-primeiro-ministro do Catar, Sheikh Hamad bin Jassim Al Thani, fez declarações contundentes sobre a atual situação no Oriente Médio, afirmando que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, está utilizando a guerra contra o Irã para reconfigurar a região. Em uma entrevista ao programa Al Muqabala da Al Jazeera, Sheikh Hamad alertou que a crise no Estreito de Ormuz é uma das consequências mais perigosas do conflito e pediu a criação de uma aliança de defesa unificada entre os países do Golfo, que ele chamou de "Gulf NATO". Sheikh Hamad argumentou que a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã não é uma escalada repentina, mas sim o resultado de uma agenda israelense de longo prazo para remodelar violentamente o Oriente Médio.

Ele destacou que a crise no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, representa uma ameaça significativa não apenas para a segurança regional, mas também para a economia global. "Estamos testemunhando uma reestruturação significativa da região", disse Sheikh Hamad, enfatizando que as mudanças geopolíticas atuais moldarão o futuro do Oriente Médio nas próximas décadas. Ele criticou Netanyahu por suas ambições de um "Grande Israel" e alertou que a guerra atual poderia forçar todos os envolvidos a voltarem à mesa de negociações.

O ex-primeiro-ministro também criticou a abordagem militar dos Estados Unidos, afirmando que a verdadeira força da América reside em sua capacidade de evitar o uso da força, e não em sua disposição para usá-la. Ele sugeriu que um esforço diplomático mais robusto poderia ter evitado a guerra, mencionando que conversas em Genebra, lideradas por Omã, poderiam ter sido uma oportunidade para evitar o conflito. Sheikh Hamad observou que Netanyahu se beneficiou da guerra, utilizando a confusão para promover sua visão de alianças regionais forçadas e a expansão das fronteiras de Israel.

Ele ressaltou que o Irã, após absorver os ataques iniciais, agora está tratando o Estreito de Ormuz como seu território soberano, o que representa uma ameaça mais imediata e severa para as economias globais do que o programa nuclear iraniano. Além disso, o ex-primeiro-ministro criticou os ataques do Irã a infraestruturas energéticas e civis dos países do Golfo, que se opuseram à guerra. Ele destacou que essas ações geraram descontentamento generalizado entre os povos do Golfo em relação ao Irã, que agora enfrenta uma perda de capital político na região.

Sheikh Hamad também abordou a questão da unidade interna no Golfo, afirmando que a maior ameaça à região não é o Irã, Israel ou bases militares estrangeiras, mas sim a desunião entre os países do Golfo. Para enfrentar essa situação, ele propôs a criação de uma "Gulf NATO", um projeto político e de defesa que começaria com um grupo central de nações do Golfo, com a Arábia Saudita como seu pilar natural. Ele reconheceu que a presença militar dos EUA tem sido um fator de dissuasão crucial, mas alertou que a mudança de foco estratégico dos EUA para a Ásia significa que os países do Golfo não podem contar indefinidamente com a proteção americana.

Assim, ele instou os estados do Golfo a desenvolver parcerias estratégicas de longo prazo com potências regionais como Turquia, Paquistão e Egito. Por fim, Sheikh Hamad fez uma crítica contundente à situação em Gaza, onde mais de 72. 500 palestinos foram mortos desde o início da guerra em outubro de 2023.

Ele acusou Israel de cometer um "desastre moral e político" e alertou sobre um suposto plano israelense para desocupar a faixa de Gaza, sugerindo que o território está se tornando um projeto imobiliário. Ele também elogiou a recusa da Arábia Saudita em normalizar relações com Israel sem um plano claro para um estado palestino independente, o que, segundo ele, desestabilizou os cálculos regionais de Netanyahu.

Tags: Netanyahu, Irã, Oriente Médio, Gulf NATO, Sheikh Hamad bin Jassim Fonte: www.aljazeera.com