Em Nova York, a implementação da "congestion pricing" (cobrança de congestionamento) está afetando profundamente a vida dos vendedores de rua, que enfrentam desafios financeiros crescentes. A medida, que começou a ser aplicada em 2025, impõe uma taxa para veículos que entram em Manhattan, especialmente na área abaixo da 60ª rua, e visa reduzir o tráfego e melhorar a qualidade do ar. No entanto, muitos vendedores que dependem de seus negócios para sobreviver estão lutando para lidar com os custos adicionais que essa nova política trouxe.
Benjamin Li, um vendedor de smoothies, é um exemplo claro das dificuldades enfrentadas. Ele se levanta às 3h45 da manhã para evitar as taxas de congestionamento, que variam de $9 a $22 durante o dia, dependendo do tipo de veículo. Se ele se atrasar, terá que pagar a taxa, o que pode comprometer ainda mais sua já estreita margem de lucro.
"Se eu tivesse dinheiro suficiente, gostaria de ficar na cama", disse Li, refletindo sobre a pressão que a nova taxa exerce sobre sua rotina e finanças. Os vendedores de rua em Nova York, muitos dos quais residem em bairros como Brooklyn e Queens, estão enfrentando um aumento nos custos operacionais, que já incluem despesas com alimentos e suprimentos, além de taxas de licenciamento. A situação se agrava com a diminuição da clientela, resultado da cultura de trabalho remoto e da queda no turismo.
A inflação também tem sido um fator significativo, com os preços dos alimentos nas cidades dos EUA subindo cerca de 22% nos últimos cinco anos. Abdelhafeez Aly, que opera um carrinho halal desde 1991, expressou sua frustração: "O preço de tudo está subindo. Com a taxa e os altos custos, não estou ganhando dinheiro como antes".
Ele menciona que o custo diário de abastecer seu carrinho já chega a $400, e a adição de mais uma despesa não é sustentável. Para muitos vendedores, aumentar os preços para compensar as taxas de congestionamento não é uma opção viável, pois isso pode afastar seus clientes regulares. A política de cobrança de congestionamento, embora tenha mostrado resultados positivos em termos de redução do tráfego e aumento da receita para a Autoridade Metropolitana de Transporte (MTA), não tem sido bem recebida por todos.
No primeiro ano de implementação, a cidade viu uma redução de 27 milhões de veículos entrando na zona de congestionamento, o que diminuiu o tráfego em 11% e melhorou a velocidade de travessia em até 51%. No entanto, os vendedores de rua sentem que o custo adicional é um golpe em seus já limitados orçamentos. O prefeito Zohran Mamdani, que está promovendo uma agenda de acessibilidade, reconhece os desafios enfrentados pelos vendedores e está buscando soluções.
Parte de sua proposta inclui aumentar o número de licenças disponíveis para vendedores, permitindo que eles adquiram permissões diretamente da cidade por um custo de $200 por dois anos, em vez de pagar preços exorbitantes a terceiros. Além disso, Mamdani espera que iniciativas como o congelamento de aluguéis e a criação de mercearias de propriedade da cidade ajudem a aliviar a pressão financeira sobre pequenos empresários, incluindo os vendedores de rua. Enquanto isso, os vendedores continuam a se adaptar.
Muitos têm encontrado maneiras de contornar as taxas, como cruzar a ponte antes do início da cobrança, mas isso vem à custa de suas horas de sono e saúde. A luta pela sobrevivência em um ambiente econômico cada vez mais desafiador é uma realidade constante para esses trabalhadores, que dependem de suas vendas diárias para sustentar suas famílias. A situação dos vendedores de rua em Nova York ilustra um dilema maior enfrentado por muitas cidades: como equilibrar a necessidade de reduzir o tráfego e melhorar a qualidade de vida urbana com a necessidade de apoiar os pequenos negócios que são a espinha dorsal da economia local.
À medida que a cidade continua a implementar políticas para lidar com a congestão, a esperança é que soluções equitativas possam ser encontradas para garantir que os vendedores de rua possam prosperar, em vez de serem esmagados por custos adicionais.